domingo, 18 de março de 2018

Da podridão ao dinheiro: uma visita ao Red Light District de Frankfurt



Então decidi passar sozinho no Red Light District de Frankfurt à noite. Já sabia que me esperava uma nova experiência.

Para quem não sabe, um Red Light District é um bairro (ou umas ruas) onde só se encontram bares de strip (e prostituição), sex shops, cinemas porno (onde só exibem esse tipo de filmes) e até casinos e hotéis que têm sempre por base o sexo como negócio.

Acredito que o de Frankfurt não se poderá comparar ao de Amesterdão, por exemplo, mas foi o suficiente para entender como funcionam aquelas ruas. É um mundo à parte, basicamente, numa das cidades mais modernas da Europa (mas já falo disso mais à frente)

Indo directo ao ponto. Nunca na vida tive tanta oferta de sexo, droga e convites para jogo. Sim, à medida que percorria estas ruas, várias pessoas se aproximaram com as mais variadas propostas. Homens e mulheres de todas as idades não se inibiam de me fazer convites supostamente aliciantes, mas muitos deles eram jovens imigrantes oriundos do mundo árabe (talvez até vítimas da recente crise de refugiados, mas isso é algo que não posso confirmar). Restou-me repetir imensos "não, não, não..." e continuar a explorar mais.

foto: Wikipedia


À parte de um bar chamado Moulin Rouge (obviamente não o original), uma senhora de meia idade convidou-me a entrar. Noutro bar, cujo nome não recordo, mas onde tocava a música do último 50 Sombras de Grey (apropriado?) outro homem fez-me sinal para entrar. "Hot girls inside" - podia ler-se à porta. Não fazia o meu tipo.

Algumas sex shops eram também "cinema", com algumas cabines privadas onde se podia assistir a diversos tipos de filme com vários temas diversos (o sadomasoquismo parece continuar na moda...). Mas para isso tinha que se pagar bem. Por isso entrei numa que estava aberta sem qualquer pudor e explorei tudo, encontrando coisas que eu nunca tinha imaginado ver. A fantasia não tem limites... 

Mas agora o mais curioso. Caminhando até ao fim de uma das ruas, dobra-se a esquina e está-se imediatamente no bairro mais desenvolvido de Frankfurt, onde imperam com grande imponência os arranha céus dos maiores bancos da Europa, como o Deutsche Bank ou o próprio Banco Central Europeu. Digamos que (quase) todo o dinheiro da Europa está ali, lado a lado com os maiores vícios (e podridões?)  do mundo.

Para os entendidos, vaguear por aquelas ruas foi como passar no Inferno de Dante, mas mais divertido, pelo menos para mim, porque duvido que aquilo seja uma vida muito feliz para quem lá trabalha.


Para visitar e matar a curiosidade. Mas só. 








sexta-feira, 16 de março de 2018

Primeiros dias como Comissário de Bordo / Cabin Crew

A minha nova casa... nos céus! Aqui estávamos numa breve pausa em Milão-Bergamo, Itália. 

Então... depois de muito esforço para completar o curso, chegou finalmente a hora de voar a sério.

Em 3 dias fiz 12 voos e passei por Londres, Milão, Manchester, Toulouse e, claro, Frankfurt (que é sempre a minha final destination). Isto dá muitas horas nos céus a uma altitude de cerca 37000 pés e depois ainda temos que adicionar a pressão da cabine que já inclui coisas muito técnicas que vou simplificar dizendo que é como se estivesse constantemente na mesma altitude na Torre da Serra da Estrela (por exemplo).

Traduzindo tudo isto, o nosso corpo tem que se habituar a estas novas condições, pois temos que fazer mais esforço para tudo. Nos primeiro dia senti como se tivesse estado muitas horas no ginásio, com todos os músculos das pernas, costas e braços a manifestarem-se... o que achei brutal porque é aquela dor que te satisfaz por saber que estás no caminho certo (fiz sentido?).

Para além disso, a nossa pele fica extremamente seca (como se estivesse estado na praia o dia todo) e temos que beber muita água. Juro, nunca bebi tanta água na minha vida! E tenho que aplicar bastante creme hidratante antes e depois.

Este é um processo que ainda agora começou, pois vou precisar de mais tempo para me habituar completamente.

Depois vem a parte mais divertida: o contacto com os passageiros. Para quem já trabalhou num hotel e costumer service antes, não muda muito no que toca ao "atendimento", mas achei algo super engraçado. É que a nossa prioridade ali é a segurança de todos os passageiros que voam connosco e a verdade é que isso é algo que vem por instinto (o treino intensivo de quase 2 meses tinha que dar algum resultado, não é?).  Gosto mesmo disso, saber que estou ali inteiramente para fazer daquele voo o mais agradável possível para cada passageiro. E quando são simpáticos, claro, adoro falar com eles. Quando não são, well, falo na mesma. You know...

Resumindo, é uma responsabilidade gigantesca, de facto, pois somos nós cabin crew/comissári@s de bordo quem sabe todos os procedimentos de segurança, primeiros socorros e etc que venham a ser necessários caso algo não corra dentro da... normalidade. É como se tivéssemos a vida de toda aquela gente nas mãos (uhhh!).

Do que mais gostei?




Obviamente de fazer o safety demo pela primeira vez, ou seja, aquela demonstração inicial a indicar onde estão as saídas de emergência, as máscaras de oxigénio, etc. Neste momento todos os olhos estão (ou pelo menos deveriam estar) postos em ti. Durante 3 minutos és a star e eu divirto-me imenso porque imagino sempre aquilo como uma coreografia (podemos admitir que parece que estamos a dançar, ok?). Na verdade comecei a ver isso dessa forma para aprender melhor os passos (que ainda confundo muitas vezes, ahahah).





Então apesar do cansaço inicial, quando chegamos lá acima parece que acontece magia, há uma energia extra, e mesmo com a inexperiência própria de iniciante, é brutal chegar ali... chamar a nossa inner Britney Spears e desempenhar o nosso nobre papel. Acho que é um ambiente que te transforma, pois parece que esqueces tudo o resto e só consegues pensar na segurança do teu avião (novamente, o treino a funcionar!).






E SIM, já fiz anúncios (comunicações) aos passageiros, logo desde o primeiro dia, porque era algo que eu ansiava fazer há muito tempo.  E agora só estou à espera do dia em que vou estar completamente à vontade para pegar naquele interfone e cantar Toxic em toda a minha glória. :P

Gente, não estou a brincar, a primeira coisa que me disseram no primeiríssimo dia foi: "Sê tu próprio e todos os passageiros vão gostar de ti".

Então podem começar já a decorar a letra para cantarmos em coro:

"Baby can't you see? I'm calling..."



Aquela selfie antes de ir trabalhar porque sim.


domingo, 11 de março de 2018

Novos voos e novos começos em FRANKFURT



Foi em Setembro do ano passado. Voltava de Itália para Portugal, num voo da Ryanair que em poucos minutos aterraria no Porto. Estava quase há 4 meses fora do meu país e a felicidade de voltar era muita, mas a vontade de encontrar rapidamente um novo caminho era maior. E eu até já tinha pensado que gostaria de trabalhar ali (no ar?), já tinha até contactado a empresa no passado (sem avançar mais do que alguns e-mails).

Do Porto fui para Coimbra nessa noite. Dormi aí e no dia seguinte cheguei finalmente a Casa. Fiz uma pesquisa. Estavam a recrutar... NESSA SEMANA! E em menos de 24h já tinha uma data marcada para ir a uma entrevista.

Passaram cerca de 5 meses que me parecem agora uma eternidade. No entretanto fui a Marrocos, ao Reino Unido e comecei então o curso de "cabin crew" (comissário de bordo) com a Ryanair. Do curso não há muito a dizer para além de que foi difícil, cansativo, positivo e excitante ao mesmo tempo, multiplicando tudo isto por mil, várias vezes. E durante o curso ainda passei pela Irlanda e estive uma semana em Itália (a melhor parte, obviamente pelo regresso ao meu segundo país). 

Mas tudo isto só para dizer que tem sido um verdadeiro correr, que ainda não acabou.

Frankfurt, os arranha-céus e o rio Meno.


Cheguei a Frankfurt. O mais difícil podia ter passado, mas agora começam novos desafios: 

O alemão que não falo: mas ok, fala-se inglês, e a maior parte dos alemães até agora safa-se muito bem com isso.

Novas pessoas: algo que até nem é grande novidade para mim, pois quem está sempre a mudar de lugar já se habitou a estas readaptações. E agora até tive a sorte de vir com colegas que fizeram o curso comigo. Das outras vezes (para Itália) foi sempre sozinho e safei-me bem. Então agora... tranquilo. 

Novo lugar: e à primeira impressão gostei muito de Frankfurt. É uma cidade com muita vida, perdida num espaço entre o antigo e a modernidade, com arranha-céus futuristas que contrastam com prédios centenários. Para descobrir a fundo no tempo que passarei cá.

Nova casa: isto é, se eu encontrar uma casa. Pois está a ser para lá de difícil encontrar um sítio onde ficar definitivamente. Vocês não têm noção! Mas tratando-se de mim, está tudo bem enquanto não estiver tudo mal, tranquilidade, rir das dificuldades, ironizar com o meu trágico Destino, e acreditar que ainda vou viver numa bonita penthouse com vista para o rio Meno. Ou talvez um T0 ao lado do Lidl seja o suficiente vá...

Os desafios reais: nova profissão, novas linhas de metro e comboio, novos supermercados, novos hábitos e infinitas pequenas novidades no meu dia-a-dia, como as placas de rua que não consigo ler, e que me estão constantemente a relembrar de que já não estou em Casa.  

Sinceramente, acho que ainda não aterrei verdadeiramente. 

Talvez não tenha dado o devido tempo para processar os últimos meses, mas ao mesmo tempo prefiro assim esta saborosa irresponsabilidade de ir e fazer sem perder muito tempo a pensar "e se...?".

Afinal todos já sabemos que isto vai dar muitas histórias giras para o blog, certo?

O Banco Central Europeu aqui em Frankfurt. Até fugi de lá com medo que descobrissem que era português, ainda me pediam para pagar alguma parte da dívida... :P



quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

TOP 10: os meus filmes favoritos de 2017


Um ano com muita variedade de estilos!


Sem mais demoras, os meus 10 filmes favoritos de 2017 foram...


10 - Mother! (Mãe!) 



Controverso, traz-nos mais questões do que respostas, mas "Mother" é fantástico e roça a perfeição em muitos momentos. Jennifer Lawrence tem aqui a melhor prestação da sua carreira como actriz. Pode não ser um filme fácil de ver, obriga-nos a ter muita atenção a tudo, e pode até ter algumas falhas, mas é um dos melhores dentro do seu género. 


9 - Wonder Woman (Mulher-Maravilha)


Este foi daqueles que cresceu em mim. Na primeira visualização achei-o muito bom, mas foi com o tempo que fui percebendo quanto tinha sido inovador. Não só porque tem uma super-heroína como protagonista, mas porque até dentro das cenas de acção há algo que não tínhamos visto antes. Para além disso, questões sociais, que vão para lá do conflito bem vs mal, estão muito presentes na visão da realizadora, tornando Diana Prince mais humana do que a deusa amazona que ela é, colocando-a perfeitamente no plano das nossas fraquezas como talvez nenhum filme de super-heróis conseguiu antes.


8 - IT (A Coisa)



Com um cast surpreendente, se pensarmos que 90% do filme dependeu de actores muito novos, IT é um dos melhores filmes de sempre... em qualquer género. Os medos dos protagonistas (e os nossos próprios medos) são explorados perfeitamente ao longo da trama que, mesmo ultrapassando o esperado de uma duração de um filme de terrror, nunca se torna cansativo. É exactamente o tempo dado a desenvolver cada personagem que faz deste um filme obrigatório e uma das maiores surpresas do ano.


7 - Blade Runner 2049



Sendo eu um fã de ficção ciéntifica e distopias, não podia deixar de incluir este filme no meu TOP do ano. Blade Runner 2049 elevou a fasquia para futuros filmes do género, sob a brilhante direcção do realizador Denis Villeneuve que já nos tinha trazido em 2016 outra pérola da ficção científica com Arrival: O Primeiro Encontro. A mestria na criação de um ambiente tão credível quanto imaginativo está todo lá, novamente.



6 - Lady Bird 




Tratando das dificuldades que filhos e pais têm em compreender-se, principalmente no período de adolescência dos primeiros, Lady Bird é verdadeiramente um profundo ensaio sobre as relações humanas e o crescimento para além das nossas zonas de conforto e de todas as dúvidas e anseios que isso nos traz. Magnificamente bem filmado, captando toda a essência do início dos anos 2000, Lady Bird é lindo do início ao fim, mesmo quando nos mostra os lados mais feios da vida, como a depressão e a exclusão social.



5 - Il padre d'Italia (O pai de Itália)



Mia está grávida quando inesperadamente conhece Paolo, um jovem adulto tímido e perdido na vida. Percorrendo Itália de norte a sul, os dois seguem numa viagem em busca do pai da criança. Apresentando-se como um típico "road movie", Il Padre d'Italia surpreende-nos com questões muito pertinentes sobre a parentalidade, o amor, a adopção e a perseguição dos sonhos. Muito bem filmado, carregado de sentimento, absolutamente tocante.



4 - Call me by your name (Chama-me pelo teu nome)



É em todos os aspectos um dos filmes mais bonitos do ano. Situado na Itália dos anos 80, Call me by your name explora toda complexidade da descoberta do primeiro amor e da sexualidade. Tem, a meu ver, uma das cenas mais simples mas mais cruas e tocantes do cinema, que envolve um pai e um filho que conversam naturalmente num sofá. Fiquei dias e dias a pensar nisso. Pouco recomendável ou muito recomendável (depende) a pessoas sensíveis. Mas não se pode dizer porquê. 


3 - Get out (Foge)


Absolutamente a maior surpresa do ano. Get out será um filme de terror, de humor negro (ai!) ou simplesmente um tipo de documentário de crítica social? Ainda hoje não sei. Só sei que fui surpreendido do início ao fim com um argumento que criou metáforas perfeitas, mesmo que exageradas, sobre o racismo e tudo o que de mal vem daí. Genial, simplesmente genial, e com uma das reviravoltas mais inesperadas do cinema...


2 - Dunkirk


Quem já está habituado aos filmes do Christopher Nolan, sabe que há sempre algo escondido nas suas narrativas, talvez na forma de as contar (muitas vezes invertendo métodos clássicos de o fazer). Não se pode falar muito de Dunkirk sem estragar a forma como Nolan quis provocar a nossa atenção desta vez, mas vou só dizer que ia com expectativas para este filme e estas foram completamente superadas. O seu guião é forte, a sua realização é pesada, o seu ritmo é claustrofóbico, trazendo assim ao género dos filmes de guerra algo inovador e que não nos largará durante muito tempo. Nolan tem que, finalmente, vencer o Oscar de Melhor Realizador! É inquestionável.


1 - Logan



Acho que 2017 foi um dos anos cinematográficos em que vi mais géneros serem invertidos ou misturados para nos surpreenderem. Logan é Wolverine. O Wolverine faz parte dos X-men. E por isso este é um filme de super-heróis (ou de um anti-herói, pelo menos). Certo? Talvez não. Se virmos melhor, não será antes um filme western? Ou não é simplesmente o drama de um homem que só quer deixar este mundo e morrer...? Seja o que for, Logan foi o meu favorito deste ano. Hugh Jackman despediu-se do seu personagem em grande, com um guião de qualidade que há muito merecia e nunca teve. Levantando questões sobre a complexidade humana, sobre o direito de desistir, sobre a dor de existir, este é um daqueles casos em que o herói saltou barreiras e destruiu todos os preconceitos associados aos filmes de acção que nos últimos anos se tornaram imensos sucessos de bilheteira. Este não é o herói de que estás à espera. É muito, muito mais do que isso. 

domingo, 17 de dezembro de 2017

O ano em viagens ou o Menu Vegetariano noutras partes do mundo

imagem: besthealthmag.ca

Quando vais viajar para um lugar fora da tua zona de conforto tens que pensar em montes de coisas, que vão de aspectos básicos da cultura às trocas de moeda ou timezone. Quando és vegetariano ou vegan, ou quando tens uma opção alimentar diferente da norma, isso ainda te acrescenta algo mais em que pensar. 

Neste ano, por razões de lazer e sobretudo de trabalho, tive que viajar muito mais do que o habitual. E antes de todas as viagens receei ter que submeter-me ao consumo da carne, porque estava já a tentar convencer-me de que nem sempre teria uma opção vegetariana no menu dos locais por onde ia passar. Mas a grande surpresa é que nunca tive que abdicar dos meus hábitos e isso foi uma saborosa conquista. É essa alegria que venho partilhar hoje.

Em espécie de retrospectiva vou passar novamente por todos os lugares e contar detalhes dessa aventura que é manteres-te fiel aos teus princípios independentemente das condições ou pratos que te rodeiam.



imagem: pixabay


1) Itália

O ano começou com um regresso ao país onde já tinha vivido quase 1 ano. Aqui já estava bem à vontade, pois sei que Itália está um bocadinho à frente no que toca a variedade de opções veggie e vegan. A maior dificuldade aqui foi que estava a viajar e iria partilhar casa durante 5 dias com amigos que comem tudo (como eu gosto de dizer). Mas combinamos que eu trataria das minhas refeições e foi fácil porque no supermercado encontrei sempre produtos óptimos para mim. No momento da refeição torna-se sempre um bocado estranho eu estar a comer algo completamente diferente "à parte" mas com o tempo vai se tornando um hábito. No que toca aos restaurantes estava super à vontade porque bastava pedir uma pizza napoletana ou uma pasta al pesto e estava safo. É engraçado notar que a base da comida tradicional italiana é em grande parte vegetariana (mesmo sem querer). E não terá sido por acaso que foi neste país, algum tempo atrás, que comecei a dar os meus primeiros passos em direcção ao vegetarianismo.... mas isso é uma história para outro post. 



imagem: pixabay


2) Espanha (Barcelona)
Sendo uma cidade mega turística e muito aberta nem esperava nenhuma dificuldade maior, visto que já imaginava que encontraria muitos restaurantes com opções veggie/vegan. E assim foi. Sou terrível a lembrar-me dos nomes dos sítios, tenho que começar a anotar, mas trouxe comigo o cartão do restaurante de tapas Txapela, mesmo no centro da cidade. E este posso recomendar porque tem opções vegetarianas e adorei. Aqui o mais engraçado foi que fiquei em casa de uma amiga que já não via há cerca de 1 ano e no entretanto eu tinha feito esta mudança alimentar sem que alguma vez tivesse surgido em conversa durante esse tempo. Contar-lhe que tinha feito essa opção foi quase como fazer um coming out... a sério que já não me lembrava que era assim tão complicado explicar os porquês. O mais irónico é que ela tinha à minha espera um grande chorizo español típico da sua região. E adivinhem quem não o comeu... :P


3) ilha da Sardenha (Itália)
Aqui o meu maior medo foi este: ia em trabalho durante 4 meses e não teria acesso a uma cozinha, todas as minhas refeições seriam feitas numa cantina onde alguém iria cozinhar para mim. Mesmo estando já bastante à vontade em Itália, temi que na cantina não houvesse muita escolha de ingredientes ou pratos. Imaginem que só havia 1 prato diário e era carne, por exemplo. Já me estava a preparar para o pior, porque ali ou comia na cantina ou não comia. E ainda por cima o meu trabalho seria muito puxado a nível físico! E... o local era completamente isolado de tudo, longe da cidade ou supermercados.  Mas... no meu primeiro dia pude logo respirar de alívio, pois tínhamos muitas opções. Basicamente cada um fazia o seu prato de uma vasta escolha de ingredientes, legumes, etc. E mesmo quando havia lasagna de carne, havia sempre um pouco de pasta sem nada à qual podias juntar os vegetais que quisesses ou aquele fantástico molho de tomate e manjericão. Hmm, saudades! Melhor ainda? Descobri depois que perto do local de trabalho havia um pequeno bar que fazia panini e tinha uma sandes completamente vegan. Como referi anteriormente, este trabalho exigia muito do meu corpo. Eram muitas horas seguidas a caminhar debaixo do sol ou a nadar na praia/piscina. E à noite fazíamos espectáculos que envolviam muita dança ou pegar em pesos. Ao início tivemos longas horas de ensaios que só aumentavam o cansaço. Só para salientar que nunca me senti mais fraco ou menos preparado do que todos os meus colegas que comiam tudo... e que inclusivamente chegaram a dizer-me que, não comendo carne, etc, iria ser difícil para mim aguentar o esforço. Ironicamente fui dos poucos que nunca teve uma 'baixa' devido ao desgaste, só mesmo para recalcar as ideias erradas desses preconceitos contra quem, na visão comum, "não come bem". BAM!



4) Marrocos
Desconhecendo completamente os hábitos alimentares de Marrocos, para além do básico que ia lendo na net, fiquei muito surpreendido quando voltei a casa com mais uma vitória. Uma semana neste país africano e nem um sacrifício animal teve de ser feito (da minha parte). Fiquei com base em Marraquexe, muito turística, por isso aqui todos os locais tinham sempre uma opção de cuscus ou Tajine (a foto de cima) só com vegetais. Pelo que percebi o mais normal para eles seria comer com frango, porque era a opção que tinha sempre mais destaque, mas fiquei contente de saber que não eram muito rígidos nisso. O único senão foi que em muitos sítios basicamente o que faziam era não confeccionar o prato com a carne e davam-nos só os vegetais que iriam acompanhar (não duvido que em alguns sítios talvez fosse tudo cozinhado junto mas... não tendo outra opção, que mais poderia fazer?). E não é que fosse totalmente mau mas, para uma estadia prolongada, comer sempre a mesma base de vegetais poderia tornar-se numa falta de nutrientes. O melhor momento foi mesmo quando fui dormir ao deserto e ao chegar o nosso guia perguntou se havia algum vegetariano. Na compra da viagem dizia que não tinha essa opção no menu mas afinal... :D Por curiosidade, daquele grupo de umas vinte pessoas... eu era o único vegetariano e o tajine que comi lá acabou por ser um dos melhores. Tinha muita variedade de legumes e era muito saboroso! Fiquei completamente fã. No que diz respeito à cultura ocidental (a nossa, yay!) posso confessar que fui numa das noites experimentar uma hamburgueria em Marraquexe e acabei por comer o melhor hamburguer vegan da minha vida. Beats Burger era o nome do local e este não esqueço porque marcou-me mesmo.



comida vegan congelada (melhor que nada, certo?). Imagem: veganoo.net

5) Reino Unido
Não preciso sequer de referir em detalhe quão à frente estão no que diz respeito a opções veggie nos restaurantes, supermercados, etc. Mas aqui neste caso do Reino Unido a maior dificuldade é que ia em trabalho (parecendo que não isto exige-te sempre mais energia, não é?) e novamente não iria ter um sítio onde cozinhar. Eu amo cozinhar e sentir-me à vontade com as minhas coisas só que aqui a única opção do nosso hotel era uma sala comum onde tinham uns microondas para aquecermos comida. Só esta parte do microondas e de saber que só poderia comer comida pré-feita já era suficiente para me causar náuseas, mas a minha dúvida era se seria fácil encontrar variedade no supermercado (tinha que tirar desta conta todos os alimentos que teriam de ser realmente cozinhados). Não foi um grande problema e lá me convenci que eram só umas semanas e depois regressaria à minha comidinha habitual. Mesmo assim nunca tive que abdicar das minhas escolhas. E... gente... eu quero ir viver para o Reino Unido porque têm tantos produtos veggie e tão acessíveis em termos de preço! Parecia-me impossível acreditar nisso, pois esperava que devido ao nível de vida tudo neste quadro fosse mais caro por lá, mas afinal não. It was paradise!


O que posso concluir é que felizmente é cada vez mais fácil não termos que abdicar das nossas convicções, mesmo quando isso significa termos que fazer mais algum esforço ou procuras infinitas pelas recomendações do tripadvisor com a tag "vegetarian" ou "vegan". 

Mas assim até tem outro sabor. E que o ano que vem seja só para melhorar. 

A luta continua. :)  

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

STAR WARS: os meus 10 temas favoritos da banda sonora da saga



Não podemos falar do gigantesco sucesso de Star Wars ao longo de várias décadas sem referir imediatamente a música que desde o início acompanhou as aventuras de Luke Skywalker e companhia. 

Composta pelo Mestre e Maestro John Williams, a banda-sonora da saga Star Wars está repleta de temas clássicos que nos ficaram na memória e causam arrepios (e uma leve impressão nos olhos) de cada vez que voltamos a sentar-nos na sala de cinema para assistir a mais um filme da franquia.

Neste post atrevi-me a escolher só 10 temas dos filmes que foram tocados pela magia deste grande compositor. Escolhi músicas dos episódios I ao VII, deixando (por agora) de parte o mais recente The Last Jedi. Foi difícil, mas admito que o meu número 1 foi a escolha mais fácil e mais óbvia porque, apesar de sair de um dos filmes menos apreciados pelos fãs, é para mim até hoje o tema que acho mais intenso e brutal de toda a saga.


E começamos com...


10 - Yoda's Theme (ep V: The Empire Strikes Back)




9 - Han Solo and the Princess (ep V: The Empire Strikes Back)




8 - The Jedi Steps and Finale (ep VII: The Force Awakens) 




7 - Anakin's Betrayal (ep III: Reveng of the Sith)



6 - Across the Stars (ep II: Attack of the Clones)



5 - The Throne Room/End Title (ep IV: A New Hope)




4 - Battle of the Heroes (ep III: Revenge of the Sith)



3 - Imperial March (ep V: The Empire Strikes Back)



2 - The Force Theme [ Binary Sunset ] - (ep IV: A New Hope)




1- Duel of the Fates (ep I: The Phantom Menace)




quinta-feira, 9 de novembro de 2017

DEIXA-ME SER: o que dizem os leitores sobre o livro

Apresentação do livro na Covilhã, Janeiro de 2017.

Agora que o Deixa-me ser foi publicado também em formato digital na loja Kindle da Amazon novos leitores tiveram acesso ao livro e por isso tenho recebido muitos comentários positivos. Hoje partilho convosco alguns excertos das opiniões que me foram chegando desde a publicação do Deixa-me ser há um ano. 

Antes de passarmos às reviews, quero só agradecer a  quem escreveu estas palavras. Acreditem que a Força que aqui transmitem não é só para mim mas também para muitas outras pessoas que passaram ou ainda estão a passar por fases complicadas da sua aceitação e do seu coming out. OBRIGADO por darem a tudo isto um propósito!



Sara Cristina:
"Não tenho palavras para descrever o quanto amei este livro. Faz qualquer um entender o que é viver verdadeiramente no mundo LGBT, a nível do preconceito e homofobia e sobretudo do não aceitar por parte da família. Um dos melhores livro que já li este ano sem dúvida."

Pedro Leiria: 
"Uma excelente obra biográfica onde ficamos a conhecer melhor o autor, o rapaz frágil que conseguiu vencer 'in extremis' as dificuldades com que se deparou nos momentos mais delicados da sua existência. Vamos conhecendo o processo que o levou para uma maturidade, força e gosto pela vida que hoje o caracterizam. Um bom exemplo para aqueles que se sentem excluídos e para os que não compreendem que nem todos somos iguais."

Susana Alves:
"Apesar de o encontrarem na secção de livros LGBTI, é um livro para todos. É mais do que um livro sobre a luta pelos direitos humanos. É sobre todos nós, sobre a auto descoberta, o auto conhecimento, a auto aceitação. Um livro onde se sente a sinceridade e transparência em cada palavra, sobre a luta pelo direito de seres quem és, mesmo que esse ser vá contra as expectativas da sociedade."

Panagiotis Mell:
"Um dos melhores livros que já li! Uma abordagem sensível e realista sobre uma questão que deve interessar a todos."

Carla:
"Devorei completamente este livro do início ao fim!  Obrigada ao autor por contribuir para desmistificar o que algumas cabeças duras não compreendem, que amor é amor sob todas as formas possíveis de o ser e que o mais importante e a base de tudo é o amor-próprio."

Ana Ribeiro:
"Estava de longe de imaginar a marca que este livro iria deixar. Uma leitura incrível que recomendo para pais e filhos. Afinal entre dizer que se aceita a diferença e fazê-lo vai uma autoestrada."

Ricardo Ruaz:
"O que mais me fascinou, além da sobrevivência e da curiosidade em saber o desenrolar dos enredos amorosos... foi mesmo as semelhanças com a minha própria história de vida. Identifiquei-me com a sua fase de rebeldia de tempos académicos, liberdade, novas emoções, amigos para a vida..."

Ana Anes:
"Mais do que um livro sobre a comunidade LGBTI, é um livro sobre crescer, sobre procurar o nosso lugar no mundo e sobre lutar contra o pré-definido. É sobre esperança e sobre força. Às vezes sobre o lado negro da força, também."

Rafael Fernandes:
"É sem qualquer inibição que o autor expõe a sua intimidade e aborda temas como o suicídio, doenças mentais ou violência em relações amorosas.  Esta não é uma história negra mas sim um perfeito exemplo da técnica de pintura italiana chiaroscuro – um jogo de luz e sombras que formam um puzzle da vida de alguém que passou por tanta coisa. Deixa-me ser é o testemunho visceral e profundamente honesto do coming out do Filipe." 



Estas e outras análises ao livro podem ser lidas aqui no Goodreads.

Livro à venda aqui.