quarta-feira, 18 de abril de 2018

Diário de bordo #2: uma tour grátis por Frankfurt

Grupo que fez parte desta Free Tour (várias nacionalidades numa foto).

A convite de uma colega de trabalho, que também veio de Lisboa comigo para esta nova aventura aqui em Frankfurt, lá decidi ir experimentar a "Frankfurt free alternative walking tour". Esta tour é organizada por estudantes da universidade que quiseram dar a conhecer outros aspectos da cidade, oferecendo um serviço gratuito enquanto nos vão mostrando um pouco da história, hábitos e locais mais importantes de Frankfurt. Claro que no fim recebem sempre algumas gorjetas mas o valor que cada um dá é absolutamente livre, como a própria tour

Às 14h do sábado passado lá nos encontrámos então com o grupo de pessoas que iria participar nesse dia. O ponto de encontro é numa das ruas mais movimentadas, mesmo junto à estação, e por isso foi muito fácil de lá chegar. Não é preciso marcar nada, basta estar lá a essa hora e pronto.

O nosso guia era o Alan e foi com um inglês perfeito que nos recebeu e começou a falar sobre a sua cidade. 

Logo desde o início, o nosso guia foi muito claro: queria mostrar-nos o lado mais brilhante mas também o lado mais negro de Frankfurt. E conseguiu. No nosso passeio pelas contrastantes ruas da metrópole tivemos oportunidade de ver o melhor e o pior de uma cidade que vai do underground da música techno ao topo dos arranha-céus dos maiores bancos e empresas da Europa.

Ponto de encontro.
Assim, começámos pelo lado menos bonito da cidade, o  chamado "Red Light District", que alíás eu já tinha visitado anteriormente tal como relatei aqui: Da podridão ao dinheiro: uma visita ao Red Light District de Frankfurt

A verdade é que apesar de aí vermos o lado mais rotten, não deixa de ser interessante presenciar essa realidade tão crua. Desta vez não o fiz sozinho e com as explicações do guia sobre como aquela zona tinha mudado com o passar dos anos, com a legalização da prostituição na Alemanha, etc, etc, consegui ter uma ideia muito mais profunda do que significa aquele bairro para cidade. Tivemos até direito a ver ao vivo uma situação menos positiva entre um homem e uma das mulheres que trabalham ali, mas não vou alongar-me em comentários sobre isso. Direi apenas que apesar da prostituição ser legal e de os trabalhadores da área terem direito a fazer descontos e segurança social... é necessário haver ali mais presença policial. Nunca me senti inseguro ali, mas o mesmo não se poderá dizer das mulheres que lá trabalham...





E literalmente em dois passos avançámos da zona mais imunda para o esplendor dos gigantescos prédios que ostentam todo o dinheiro que ali foi e é investido. Aqui nesta foto temos a sede original do Banco Central Europeu e logo ao lado mais arranha-céus que competem entre si para ver qual se destaca mais em grandeza.

Novamente aqui os comentários do nosso guia acrescentaram muito mais valor a estas vistas (eu já tinha passado ali muitas vezes, mas agora vejo tudo de forma diferente).

Memorial simbólico das vítimas do Holocausto. 

E houve também tempo para viajarmos até um período negro da História, ainda tão presente na realidade alemã de tão recente que é. Pelas ruas de Frankfurt entre as pedras da calçada podemos encontrar estes marcos no chão em frente às casas de judeus vítimas do Holocausto. Lê-se o nome, o ano de nascimento, o ano em que foram retirados às suas vidas e famílias e depois... a data e local da morte, neste caso Auschwitz. Impressionante como estes pequenos pormenores na pedra podem tocar-nos tanto, como se aquele passado tão triste estivesse sempre presente. Um trabalho brutal, em todos os sentidos, do artista Gunter Demnig.

Centro histórico. Casas medievais que foram construídas após terem sido bombardeadas e completamente destruídas nos confrontos da Segunda Guerra Mundial 

Também pelo centro mais antigo da cidade podemos descobrir mais sobre o Apfelwein (ou apple wine), que não é nada mais do que um tradicional vinho de maçã (traduzindo à letra). Segundo os alemães, e o nosso orgulhoso guia, não é o mesmo que sidra. Na foto de baixo podemos ver uma ilustração medieval na parede, sobre a arte de produzir e beber esta famosa bebida. Por acaso acabei por não provar, mas está na minha lista de coisas a fazer.




A nossa tour acabou aqui, não sem antes termos uma interessantíssima pequena discussão sobre as modernas forças da extrema direita e o seu ressurgimento em força na Europa, sobre a crise dos refugiados, sobre o passado e o presente, enfim, também sobre o futuro. E tivemos essa conversa numa antiga igreja que já serviu também como um improvisado parlamento na criação do Estado fortíssimo que é hoje a Alemanha do século XXI, mas que afinal não tem assim tantos anos de história como país verdadeiramente unificado.

Entrada para o bairro medieval e centro histórico.


Esta tour tem a duração de 2 horas e, ainda por cima sendo gratuita, é imprescindível para quem quer saber mais sobre a cidade e as suas pessoas, dando-nos um ponto de vista muito interessante de um jovem, o nosso guia, que viveu aqui toda a sua vida. Recomendo a quem estiver aqui de passagem ou mesmo a quem chegou para ficar, pois é mais do que certo de que a nossa visão sobre uma das cidades mais ricas e mais caras da Europa vai mudar muito depois disto... para melhor ou para pior, caberá a cada um decidir. 

Mas uma coisa é certa. Com todos os seus contrastes arquitectónicos, históricos, económicos e sociais, Frankfurt é uma cidade que é muito mais do que parece, muito mais complexa e misteriosa do que nos poderá parecer à primeira vista. 


O lindo edifício da Ópera, lado a lado com a modernidade. 


sábado, 7 de abril de 2018

Diário de bordo #1: uma casa na Turkish Town

Vista da janela da cozinha. E tenho um quintal com um jardim, sim! :D


FINALMENTE... consegui alugar uma casa. 

Vocês não tem noção do quão difícil foi isto, com pesquisas diárias em todos os sites, apps e afins que tinham anúncios de apartamentos, casas, quartos... 

É um facto já mais que provado que aqui a oferta é muito pouca para a procura que há. Mas, depois de andar a saltar com as malas de alojamento temporário para alojamento temporário (olá AirBnb!) lá consegui um contacto que me solucionou este problema.

Nem vou alongar-me mais sobre a quase cómica tragédia que foi esse período inicial, pois agora que já posso respirar alguma tranquilidade, hoje quero falar de algo muito curioso.

O engraçado de morar em Frankfurt é que muitas vezes esqueço que estou na Alemanha. Primeiro... não trabalho com um único alemão. Somos todos portugueses, italianos, espanhóis, gregos, etc. Já viram aqui o padrão, certo? Mas isso é assunto para outros posts. 

Hoje falo da minha vida quotidiana depois do trabalho. O bairro onde moro, nos subúrbios de Frankfurt, é chamado pelos locais de "Turkish Town" (Cidade Turca) porque, bem, vivem aqui muitos turcos. Caminhando por estas ruas encontramos só salões de beleza turcos e supermercados turcos (que vendem produtos originais do país). E depois há muitos restaurantes de kebab e bares de shisha...

Aliás, das únicas vezes em que saí à noite foi sempre para bares turcos porque basicamente eram os únicos abertos até mais tarde (depois da meia-noite, entenda-se! E só por aqui já ficou bem claro que não estou em Portugal).

Ontem quando ia às compras até vi um casamento turco (ou árabe) na rua.

Sim.. às vezes tenho quase a certeza de que eles não são todos turcos. Muitas dessas pessoas são provavelmente marroquinas, sírias, tunisinas, etc., mas acho que é mais fácil para os locais colocarem o "rótulo nacional" mais comum por aqui. Não é que eu entenda a língua, mas já ouvi muitas formas de falar diversas e com alguns "Salamalekum" pelo meio (que simplificando é uma saudação árabe que significa algo como "A paz esteja contigo"). 

Depois há episódios assim. Há uns dias na Primark o segurança começou a falar comigo não em alemão, nem em inglês, mas em turco. Ao que eu respondi em inglês, é claro, e ele apenas respondeu: "Pensei que eras turco ... como eu". É assim... eu não consigo nem falar alemão, quanto mais alguma variação de línguas árabes e semíticas. Vamos com calma!

A coisa boa é: como eles chegaram aqui, como eu, sem um bom conhecimento de alemão, a maior parte fala um inglês muito decente... por isso é mais fácil começar uma conversa e ter alguma ajuda quando necessário, também porque acho que nos identificamos facilmente nesta confusão inicial de estar a pisar um território completamente novo. 

Então basicamente é isto... daqui a um ano veremos se falo alemão ou turco. 

Güle güle!




sexta-feira, 30 de março de 2018

Tomb Raider: finalmente Lara! [ opinião ]



Tomb Raider é sem dúvida nenhuma o melhor filme baseado num videojogo... o que, para ser honesto, não era difícil, embora o Silent Hill (2006) tenha estado muito próximo disso. 


O ponto forte de Tomb Raider é que destaca-se de todas as outras tentativas de adaptar jogos ao cinema, apostando bastante nos efeitos visuais e direcção de arte, nos personagens e na banda sonora do premiado compositor Junkie XL (Mad Max, Deadpool, Liga da Justiça). Mas este filme aposta sobretudo no casting de uma actriz fenomenal que até já ganhou um Oscar pelo brilhante papel em A Rapariga Dinamarquesa

Alicia Vikander é completamente a Lara Croft. COMPLETAMENTE! Chega a ser impressionante ver o trabalho que teve em recriar certos modos de falar e até de mover-se, que lembram automaticamente a icónica personagem. E num filme que é uma adaptação de um material original, não se podia pedir mais. Para além disso, tratando-se afinal de uma história de origem de um personagem, Alicia Vikander conseguiu ainda transpor para o grande ecrãs todas as inseguranças, medos e até erros e feridas de uma rapariga (pouco comum) que está apenas a descobrir toda a coragem que tem e tudo aquilo que é capaz de fazer. Isto tornou Lara muito mais humana e próxima de nós e não tão "endeusada" como nos filmes anteriores, por exemplo.

Alguns momentos são feitos mesmo para os fãs de longa data, com cenas icónicas recriadas ao pormenor. Só a história base é que podia ser melhor, pois tal como a do jogo de 2013 (em que este filme se baseou em 90%), não é das mais interessantes da saga.

No entanto há momentos muito fortes e que elevam a qualidade do filme, como a cena da primeira vez em que a Lara tem de matar alguém (novamente a actriz a brilhar aqui!) ou a cena final da fuga do túmulo em que ela se torna finalmente a Tomb Raider que todos conhecemos e amamos. Algum fã não sentiu arrepios aí?

Fui surpreendido com o nível de qualidade e fiquei ansioso por uma sequela. Só peço que a próxima viagem da destemida Lara Croft seja para um dos locais mais marcantes da saga: o Egipto!



domingo, 18 de março de 2018

Da podridão ao dinheiro: uma visita ao Red Light District de Frankfurt



Então decidi passar sozinho no Red Light District de Frankfurt à noite. Já sabia que me esperava uma nova experiência.

Para quem não sabe, um Red Light District é um bairro (ou umas ruas) onde só se encontram bares de strip (e prostituição), sex shops, cinemas porno (onde só exibem esse tipo de filmes) e até casinos e hotéis que têm sempre por base o sexo como negócio.

Acredito que o de Frankfurt não se poderá comparar ao de Amesterdão, por exemplo, mas foi o suficiente para entender como funcionam aquelas ruas. É um mundo à parte, basicamente, numa das cidades mais modernas da Europa (mas já falo disso mais à frente)

Indo directo ao ponto. Nunca na vida tive tanta oferta de sexo, droga e convites para jogo. Sim, à medida que percorria estas ruas, várias pessoas se aproximaram com as mais variadas propostas. Homens e mulheres de todas as idades não se inibiam de me fazer convites supostamente aliciantes, mas muitos deles eram jovens imigrantes oriundos do mundo árabe (talvez até vítimas da recente crise de refugiados, mas isso é algo que não posso confirmar). Restou-me repetir imensos "não, não, não..." e continuar a explorar mais.

foto: Wikipedia


À parte de um bar chamado Moulin Rouge (obviamente não o original), uma senhora de meia idade convidou-me a entrar. Noutro bar, cujo nome não recordo, mas onde tocava a música do último 50 Sombras de Grey (apropriado?) outro homem fez-me sinal para entrar. "Hot girls inside" - podia ler-se à porta. Não fazia o meu tipo.

Algumas sex shops eram também "cinema", com algumas cabines privadas onde se podia assistir a diversos tipos de filme com vários temas diversos (o sadomasoquismo parece continuar na moda...). Mas para isso tinha que se pagar bem. Por isso entrei numa que estava aberta sem qualquer pudor e explorei tudo, encontrando coisas que eu nunca tinha imaginado ver. A fantasia não tem limites... 

Mas agora o mais curioso. Caminhando até ao fim de uma das ruas, dobra-se a esquina e está-se imediatamente no bairro mais desenvolvido de Frankfurt, onde imperam com grande imponência os arranha céus dos maiores bancos da Europa, como o Deutsche Bank ou o próprio Banco Central Europeu. Digamos que (quase) todo o dinheiro da Europa está ali, lado a lado com os maiores vícios (e podridões?)  do mundo.

Para os entendidos, vaguear por aquelas ruas foi como passar no Inferno de Dante, mas mais divertido, pelo menos para mim, porque duvido que aquilo seja uma vida muito feliz para quem lá trabalha.


Para visitar e matar a curiosidade. Mas só. 








sexta-feira, 16 de março de 2018

Primeiros dias como Comissário de Bordo / Cabin Crew

A minha nova casa... nos céus! Aqui estávamos numa breve pausa em Milão-Bergamo, Itália. 

Então... depois de muito esforço para completar o curso, chegou finalmente a hora de voar a sério.

Em 3 dias fiz 12 voos e passei por Londres, Milão, Manchester, Toulouse e, claro, Frankfurt (que é sempre a minha final destination). Isto dá muitas horas nos céus a uma altitude de cerca 37000 pés e depois ainda temos que adicionar a pressão da cabine que já inclui coisas muito técnicas que vou simplificar dizendo que é como se estivesse constantemente na mesma altitude na Torre da Serra da Estrela (por exemplo).

Traduzindo tudo isto, o nosso corpo tem que se habituar a estas novas condições, pois temos que fazer mais esforço para tudo. Nos primeiro dia senti como se tivesse estado muitas horas no ginásio, com todos os músculos das pernas, costas e braços a manifestarem-se... o que achei brutal porque é aquela dor que te satisfaz por saber que estás no caminho certo (fiz sentido?).

Para além disso, a nossa pele fica extremamente seca (como se estivesse estado na praia o dia todo) e temos que beber muita água. Juro, nunca bebi tanta água na minha vida! E tenho que aplicar bastante creme hidratante antes e depois.

Este é um processo que ainda agora começou, pois vou precisar de mais tempo para me habituar completamente.

Depois vem a parte mais divertida: o contacto com os passageiros. Para quem já trabalhou num hotel e costumer service antes, não muda muito no que toca ao "atendimento", mas achei algo super engraçado. É que a nossa prioridade ali é a segurança de todos os passageiros que voam connosco e a verdade é que isso é algo que vem por instinto (o treino intensivo de quase 2 meses tinha que dar algum resultado, não é?).  Gosto mesmo disso, saber que estou ali inteiramente para fazer daquele voo o mais agradável possível para cada passageiro. E quando são simpáticos, claro, adoro falar com eles. Quando não são, well, falo na mesma. You know...

Resumindo, é uma responsabilidade gigantesca, de facto, pois somos nós cabin crew/comissári@s de bordo quem sabe todos os procedimentos de segurança, primeiros socorros e etc que venham a ser necessários caso algo não corra dentro da... normalidade. É como se tivéssemos a vida de toda aquela gente nas mãos (uhhh!).

Do que mais gostei?




Obviamente de fazer o safety demo pela primeira vez, ou seja, aquela demonstração inicial a indicar onde estão as saídas de emergência, as máscaras de oxigénio, etc. Neste momento todos os olhos estão (ou pelo menos deveriam estar) postos em ti. Durante 3 minutos és a star e eu divirto-me imenso porque imagino sempre aquilo como uma coreografia (podemos admitir que parece que estamos a dançar, ok?). Na verdade comecei a ver isso dessa forma para aprender melhor os passos (que ainda confundo muitas vezes, ahahah).





Então apesar do cansaço inicial, quando chegamos lá acima parece que acontece magia, há uma energia extra, e mesmo com a inexperiência própria de iniciante, é brutal chegar ali... chamar a nossa inner Britney Spears e desempenhar o nosso nobre papel. Acho que é um ambiente que te transforma, pois parece que esqueces tudo o resto e só consegues pensar na segurança do teu avião (novamente, o treino a funcionar!).






E SIM, já fiz anúncios (comunicações) aos passageiros, logo desde o primeiro dia, porque era algo que eu ansiava fazer há muito tempo.  E agora só estou à espera do dia em que vou estar completamente à vontade para pegar naquele interfone e cantar Toxic em toda a minha glória. :P

Gente, não estou a brincar, a primeira coisa que me disseram no primeiríssimo dia foi: "Sê tu próprio e todos os passageiros vão gostar de ti".

Então podem começar já a decorar a letra para cantarmos em coro:

"Baby can't you see? I'm calling..."



Aquela selfie antes de ir trabalhar porque sim.


domingo, 11 de março de 2018

Novos voos e novos começos em FRANKFURT



Foi em Setembro do ano passado. Voltava de Itália para Portugal, num voo da Ryanair que em poucos minutos aterraria no Porto. Estava quase há 4 meses fora do meu país e a felicidade de voltar era muita, mas a vontade de encontrar rapidamente um novo caminho era maior. E eu até já tinha pensado que gostaria de trabalhar ali (no ar?), já tinha até contactado a empresa no passado (sem avançar mais do que alguns e-mails).

Do Porto fui para Coimbra nessa noite. Dormi aí e no dia seguinte cheguei finalmente a Casa. Fiz uma pesquisa. Estavam a recrutar... NESSA SEMANA! E em menos de 24h já tinha uma data marcada para ir a uma entrevista.

Passaram cerca de 5 meses que me parecem agora uma eternidade. No entretanto fui a Marrocos, ao Reino Unido e comecei então o curso de "cabin crew" (comissário de bordo) com a Ryanair. Do curso não há muito a dizer para além de que foi difícil, cansativo, positivo e excitante ao mesmo tempo, multiplicando tudo isto por mil, várias vezes. E durante o curso ainda passei pela Irlanda e estive uma semana em Itália (a melhor parte, obviamente pelo regresso ao meu segundo país). 

Mas tudo isto só para dizer que tem sido um verdadeiro correr, que ainda não acabou.

Frankfurt, os arranha-céus e o rio Meno.


Cheguei a Frankfurt. O mais difícil podia ter passado, mas agora começam novos desafios: 

O alemão que não falo: mas ok, fala-se inglês, e a maior parte dos alemães até agora safa-se muito bem com isso.

Novas pessoas: algo que até nem é grande novidade para mim, pois quem está sempre a mudar de lugar já se habitou a estas readaptações. E agora até tive a sorte de vir com colegas que fizeram o curso comigo. Das outras vezes (para Itália) foi sempre sozinho e safei-me bem. Então agora... tranquilo. 

Novo lugar: e à primeira impressão gostei muito de Frankfurt. É uma cidade com muita vida, perdida num espaço entre o antigo e a modernidade, com arranha-céus futuristas que contrastam com prédios centenários. Para descobrir a fundo no tempo que passarei cá.

Nova casa: isto é, se eu encontrar uma casa. Pois está a ser para lá de difícil encontrar um sítio onde ficar definitivamente. Vocês não têm noção! Mas tratando-se de mim, está tudo bem enquanto não estiver tudo mal, tranquilidade, rir das dificuldades, ironizar com o meu trágico Destino, e acreditar que ainda vou viver numa bonita penthouse com vista para o rio Meno. Ou talvez um T0 ao lado do Lidl seja o suficiente vá...

Os desafios reais: nova profissão, novas linhas de metro e comboio, novos supermercados, novos hábitos e infinitas pequenas novidades no meu dia-a-dia, como as placas de rua que não consigo ler, e que me estão constantemente a relembrar de que já não estou em Casa.  

Sinceramente, acho que ainda não aterrei verdadeiramente. 

Talvez não tenha dado o devido tempo para processar os últimos meses, mas ao mesmo tempo prefiro assim esta saborosa irresponsabilidade de ir e fazer sem perder muito tempo a pensar "e se...?".

Afinal todos já sabemos que isto vai dar muitas histórias giras para o blog, certo?

O Banco Central Europeu aqui em Frankfurt. Até fugi de lá com medo que descobrissem que era português, ainda me pediam para pagar alguma parte da dívida... :P



quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

TOP 10: os meus filmes favoritos de 2017


Um ano com muita variedade de estilos!


Sem mais demoras, os meus 10 filmes favoritos de 2017 foram...


10 - Mother! (Mãe!) 



Controverso, traz-nos mais questões do que respostas, mas "Mother" é fantástico e roça a perfeição em muitos momentos. Jennifer Lawrence tem aqui a melhor prestação da sua carreira como actriz. Pode não ser um filme fácil de ver, obriga-nos a ter muita atenção a tudo, e pode até ter algumas falhas, mas é um dos melhores dentro do seu género. 


9 - Wonder Woman (Mulher-Maravilha)


Este foi daqueles que cresceu em mim. Na primeira visualização achei-o muito bom, mas foi com o tempo que fui percebendo quanto tinha sido inovador. Não só porque tem uma super-heroína como protagonista, mas porque até dentro das cenas de acção há algo que não tínhamos visto antes. Para além disso, questões sociais, que vão para lá do conflito bem vs mal, estão muito presentes na visão da realizadora, tornando Diana Prince mais humana do que a deusa amazona que ela é, colocando-a perfeitamente no plano das nossas fraquezas como talvez nenhum filme de super-heróis conseguiu antes.


8 - IT (A Coisa)



Com um cast surpreendente, se pensarmos que 90% do filme dependeu de actores muito novos, IT é um dos melhores filmes de sempre... em qualquer género. Os medos dos protagonistas (e os nossos próprios medos) são explorados perfeitamente ao longo da trama que, mesmo ultrapassando o esperado de uma duração de um filme de terrror, nunca se torna cansativo. É exactamente o tempo dado a desenvolver cada personagem que faz deste um filme obrigatório e uma das maiores surpresas do ano.


7 - Blade Runner 2049



Sendo eu um fã de ficção ciéntifica e distopias, não podia deixar de incluir este filme no meu TOP do ano. Blade Runner 2049 elevou a fasquia para futuros filmes do género, sob a brilhante direcção do realizador Denis Villeneuve que já nos tinha trazido em 2016 outra pérola da ficção científica com Arrival: O Primeiro Encontro. A mestria na criação de um ambiente tão credível quanto imaginativo está todo lá, novamente.



6 - Lady Bird 




Tratando das dificuldades que filhos e pais têm em compreender-se, principalmente no período de adolescência dos primeiros, Lady Bird é verdadeiramente um profundo ensaio sobre as relações humanas e o crescimento para além das nossas zonas de conforto e de todas as dúvidas e anseios que isso nos traz. Magnificamente bem filmado, captando toda a essência do início dos anos 2000, Lady Bird é lindo do início ao fim, mesmo quando nos mostra os lados mais feios da vida, como a depressão e a exclusão social.



5 - Il padre d'Italia (O pai de Itália)



Mia está grávida quando inesperadamente conhece Paolo, um jovem adulto tímido e perdido na vida. Percorrendo Itália de norte a sul, os dois seguem numa viagem em busca do pai da criança. Apresentando-se como um típico "road movie", Il Padre d'Italia surpreende-nos com questões muito pertinentes sobre a parentalidade, o amor, a adopção e a perseguição dos sonhos. Muito bem filmado, carregado de sentimento, absolutamente tocante.



4 - Call me by your name (Chama-me pelo teu nome)



É em todos os aspectos um dos filmes mais bonitos do ano. Situado na Itália dos anos 80, Call me by your name explora toda complexidade da descoberta do primeiro amor e da sexualidade. Tem, a meu ver, uma das cenas mais simples mas mais cruas e tocantes do cinema, que envolve um pai e um filho que conversam naturalmente num sofá. Fiquei dias e dias a pensar nisso. Pouco recomendável ou muito recomendável (depende) a pessoas sensíveis. Mas não se pode dizer porquê. 


3 - Get out (Foge)


Absolutamente a maior surpresa do ano. Get out será um filme de terror, de humor negro (ai!) ou simplesmente um tipo de documentário de crítica social? Ainda hoje não sei. Só sei que fui surpreendido do início ao fim com um argumento que criou metáforas perfeitas, mesmo que exageradas, sobre o racismo e tudo o que de mal vem daí. Genial, simplesmente genial, e com uma das reviravoltas mais inesperadas do cinema...


2 - Dunkirk


Quem já está habituado aos filmes do Christopher Nolan, sabe que há sempre algo escondido nas suas narrativas, talvez na forma de as contar (muitas vezes invertendo métodos clássicos de o fazer). Não se pode falar muito de Dunkirk sem estragar a forma como Nolan quis provocar a nossa atenção desta vez, mas vou só dizer que ia com expectativas para este filme e estas foram completamente superadas. O seu guião é forte, a sua realização é pesada, o seu ritmo é claustrofóbico, trazendo assim ao género dos filmes de guerra algo inovador e que não nos largará durante muito tempo. Nolan tem que, finalmente, vencer o Oscar de Melhor Realizador! É inquestionável.


1 - Logan



Acho que 2017 foi um dos anos cinematográficos em que vi mais géneros serem invertidos ou misturados para nos surpreenderem. Logan é Wolverine. O Wolverine faz parte dos X-men. E por isso este é um filme de super-heróis (ou de um anti-herói, pelo menos). Certo? Talvez não. Se virmos melhor, não será antes um filme western? Ou não é simplesmente o drama de um homem que só quer deixar este mundo e morrer...? Seja o que for, Logan foi o meu favorito deste ano. Hugh Jackman despediu-se do seu personagem em grande, com um guião de qualidade que há muito merecia e nunca teve. Levantando questões sobre a complexidade humana, sobre o direito de desistir, sobre a dor de existir, este é um daqueles casos em que o herói saltou barreiras e destruiu todos os preconceitos associados aos filmes de acção que nos últimos anos se tornaram imensos sucessos de bilheteira. Este não é o herói de que estás à espera. É muito, muito mais do que isso.