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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

[ opinião ] Bridge of Spies: Ponte dos Espiões



Um filme de espiões na Guerra Fria. Não nos parece que já vimos isto antes?
E a verdade é que vimos. Mas Steven Spielberg pegou neste filme à sua maneira, dando-lhe uma excelente produção, com momentos de tensão pulsante. 

Para isso contribui e muito também o excelente trabalho dos actores Tom HanksMark Rylance, principalmente o deste último, que é completamente sublime e brilhante naquilo que faz.

Bridge of Spies traz-nos aquela sensação de nostalgia, até de um certo déjà vu, mas não sem nos afirmar fortemente que as suas regras, clássicas de um antigo cinema americano, não estão esquecidas. Elas trazem-nos afinal a lembrança agora bem presente de um tipo de cinema que ainda brilha.

É aí que o filme atinge o seu ponto máximo.

Mas será também por isso que este não será agradável para todos, deixando um pouco de parte algumas gerações mais novas, de espectadores, que já não se encaixam neste desacreditar tão saudável desta forma de (re)contar uma História. 

Está nomeado para 6 Oscar, incluíndo o de Melhor Filme e o de Melhor Actor Secundário para Mark Rylance

Por mim, venceria nesta segunda categoria. 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

[ opinião ] Brooklyn: não subestimem esta obra



"Ellis Lacey emigra para os Estados Unidos, deixando a Irlanda, terra natal, indo à procura dos seus sonhos no outro lado do oceano. No ínicio da sua nova vida nos EUA, sente falta do que deixou para trás, mas aos poucos vai ajustando-se, até que começa um romance com Tony, filho de imigrantes italianos. Quando o seu passado regressa, terá que escolher entre dois países e as vidas que existem entre estes."

Esta crítica é tudo menos isenta de sentimento. É impossível afastá-lo daqui. 

Talvez seja porque neste momento estou a viver num país estrangeiro (Itália!). Talvez seja porque estou longe de Casa. Mas há muito tempo que não chorava tanto com o final de um filme. E o que senti foi que estavam a entrar dentro de mim e a expor tudo aquilo que eu nem consigo escrever. E não nego que tudo isso tenha pesado na hora de o ver. Mas há algo incontornável. Brooklyn aproxima-se de nós como um simples filme de romance, de uma emigrante irlandesa que vai à procura de um futuro melhor noutro país. Mas depois revela-se uma obra poderosa sobre a saudade e as dificuldades que uma pessoa estranha num mundo novo sente ao tentar adaptar-se. E como é que uma história ambientada nos anos 50 do século XX consegue ser tão actual?

Uma actuação excelente de Saoirse Ronan (Ellis), que convence, ajuda a envolver-nos ainda mais na história. Ela transmite a insegurança inicial de uma forma arrebatadora (como o facto de não conseguir sorrir)... mas também transmite e bem a transformação que ocorre com a sua nova experiência. O argumento, num guião muito bem escrito, também ajuda e muito, com cenas que são simplesmente acutilantes, no sentido que nos tocam directamente em pontos sensíveis. 

E pelo meio há uma cena que grita muitos dos medos que só quem vive distante daqueles que ama, consegue entender a 100%. Sem spoilers, mas digamos que é aquele medo de não chegar a tempo... e é aí que o filme se transforma de todo e se assegura como uma obra-prima do cinema.

De todos os nomeados que já vi, Mad Max e The Revenant eram os únicos aos quais eu entregava o Oscar. Mas este Brooklyn apanhou-me completamente de surpresa. Obrigatório ver!




"Sentirás tantas saudades de casa e não há nada que possas fazes, além de esperar. Mas vais esperar. E isso não te vai matar. E um dia, o sol aparecerá. Talvez não notes de imediato, mas vais senti-lo." 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

[ opinião ] The Revenant: O Renascido



Directo ao ponto. É um filme brutal. Em todos os sentidos. Mas não quero estragar surpresas e vou só falar de pontos gerais.

Excelente produção. Sonoridade exemplar. Planos que ajudam a criar uma tensão que nos toca, tornando a acção por vezes tão real que arrepia. E uma fotografia que nos traz imagens que à primeira vista se tornam de imediato inesquecíveis. Estes são os ingredientes base que fazem deste um magnifico trabalho do cinema actual.

Depois temos uma performance de topo por parte do actor Tom Hardy, que é para mim a grande estrela deste filme. Brilhante, irreconhecível, perturbador. E o Leonardo que me perdoe, mas se há 2 Oscar que este filme devia ter como garantidos, seriam o de melhor actor secundário (Tom Hardy) e o de Melhor Realizador (Alejandro G. Iñárritu). 

E só não digo já o de Melhor Filme, porque ainda não vi todos os outros nomeados.

E porque o Mad Max até ver continua à frente na minha preferência. 

Mas The Revenant é daqueles que leva algum tempo a processar-se. E nem eu sei se a minha opinião não o favorece mais entretanto. 

Seja como for, é sem dúvida nenhuma, tal como o Mad Max, um dos grandes filmes de 2015 e um dos meus favoritos desde que me lembro de apreciar cinema. 


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

[ opinião ] Star Wars Episódio VII: O Despertar da Força


SPOILERS

Primeiro que tudo, convém dizer isto: eu sou o ultimate fã de Star Wars. Sou... naquele nível em que quando as letrinhas amarelas deste episódio VII começaram a deslizar pelo ecrã, não consegui conter os arrepios e as lágrimas de emoção, quase não conseguindo ler o que lá estava escrito. Também não faço parte daquele grupo de fãs que odeia as prequelas. 


Fui ver The Force Awakens num cine-teatro centenário em Firenze (aqui em Itália). Neste país há um grave problema. TODOS os filmes são dobrados em italiano. Agora imaginem o que sofri para encontrar um cinema que passasse o filme na sua língua original. 

No fim da minha busca, dei por mim sentado nesse épico cinema (um edifico BRUTAL!), rodeado maioritariamente de turistas americanos e ingleses (foram ali ter pela mesma busca que eu, estou certo). 

Mal apareceu no ecrã "A long, long time ago..." todos começaram a bater palmas. E eu também. Quando aparecia alguém da velha trilogia o efeito era o mesmo. Palmas, gritos, euforia (juro... nunca tinha estado numa sala assim).

Posso dizer que vivi uma experiência a - ma - zing. E claro que tudo isto tornou o assistir do filme em algo ainda melhor do que aquilo que só pelo filme em si já podia ser.

Posto isto, vamos ao que interessa. 

The Force Awakens não é inovador. É justo que o vejam sobretudo quase como um remake do Episode IV (os pontos fulcrais do plot são quase os mesmos). Até eu a meio do filme dei por mim a pensar que esperava algo mais do que aquilo que estava a ver. E acreditem, eu estava a AMAR tudo até aí. Mas conhecendo e bem a obra do génio J.J. Abrams, faltava-me ali qualquer coisa de seu. Um toque de génio, digamos.

Mas... se até esse ponto a minha excitação pelo filme eram sobretudo os hints à saga, e não propriamente pelos personagens novos, devo dizer que na parte final tudo mudou e dei por mim a rejubilar por terem entregue a minha saga favorita de sempre a este realizador.

Ao fim, este Star Wars equilibra de forma espectacular tudo o que os anteriores filmes tinham de bom com aquilo que traz de novo e que poderemos esperar nos próximos da saga. 

Exemplo disso é a última cena, a derradeira imagem do filme. Quando a Rey vai a subir rumo ao topo daquela montanha onde está o Luke. Foi aí que este filme ganhou para mim todo um novo valor. Ainda por cima com aquela música épica a tocar (e com o sample de Binary Sunset!!) É uma cena  final completamente diferente de tudo o que já foi visto num Star Wars. Como se durante todo o filme o J.J. Abrams nos estivesse constantemente a dizer "Ok ok... fãs.... agora estou só a fazer aqui umas homenagens aos filmes de que vocês gostaram..." para depois nos exclamar nessa cena "OK! Esta saga agora é minha e isto a partir de agora vai ser à minha maneira".

Foi o que senti, que nos estava a passar uma grandiosa mensagem de esperança para os próximos filmes. Foi aí que este se tornou de imediato num dos meus Star Wars favoritos.

Já vi o filme há quase 3 semanas e só agora consegui escrever sobre ele, pois nao é fácil digerir tanto sentimento, tanto pensamento sobre o que vi. 

Mas quando saí daquele cinema, de olhos a brilhar, de sorriso rasgado, a agradecer ao George Lucas por ter vendido os direitos à Disney, a minha ordem de preferências do meu TOP 3 ficou assim:

- Ep V
- Ep III
- Ep VII

Por enquanto, mantém-se (como por acaso, tem um filme de cada trilogia). 

A Força despertou. E de que maneira!


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

[ OPINIÃO ] The Gift: O Presente



"Simon e Robyn casaram há pouco tempo e estão muito felizes até ao dia em que ele reencontra Gordo, um antigo colega de escola. Um segredo do passado dos dois vem à tona e Robyn sente-se cada vez mais insegura perto do seu companheiro."

The Gift é um thriller psicológico dos pesados. É um filme sobre bullies, vítimas e agressores. Não tem gore nem violência, por isso não é bom para quem o vai ver à espera disso. É um daqueles filmes que vive só dos personagens (e do enredo, claro). Eu vi-o sem saber muito... e agradeço-me por isso. Explicar por que é tão forte é impossível sem fazer spoilers. Mas vou tentar desta forma. Desde o início que sabemos quem é o sociopata da estória. A meio do filme eu comecei a sentir EMPATIA por ele. Senti-me mal. Afinal porque haveria eu de estar do lado de um sociopata? Quando perto do fim se descobre mais sobre ele, percebi de imediato porque tinha sentido isso. E foi a - ma -zing! O filme jogou com os meus sentimentos de uma forma brutal. E depois deixa no ar a dúvida, o desconforto, sobre quem são realmente os sociopatas desta sociedade em que... vivemos? Preciso urgentemente de discutir isto tudo com alguém que já o tenha visto. Por isso, se ainda não viste, faz-me esse favor. 

No fundo é um filme brilhante que levanta muitas questões sobre os nossos papéis na sociedade, sobre como as nossas decisões afectam e muito as vidas de outros e sobre a manipulação das ideias, informações e boatos que se espalham (que espalhamos?) ao nosso redor.

Vai directo para a minha lista de melhores filmes de 2015.