segunda-feira, 13 de julho de 2015

Justine - ou os infortúnios da virtude [ opinião ]



Pode um livro destruir tudo aquilo em que acreditamos? 

A resposta é sim.

Em "Justine", o irreverente e polémico autor, Marquês de Sade, serve-nos violentamente a história de Justine (ou Teresa), pautada por tantos infortúnios quanto é possível à mente humana imaginar.

A protagonista é raptada, violada, roubada, obrigada a servir em rituais de sadomasoquismo... entre outros momentos que prefiro não revelar. 

É um livro erótico, sim. Mas é muito mais do que isso. É um livro extremamente filosófico, levando-nos a reflectir, mesmo que não o queiramos fazer entre tanta repulsa, sobre o amor, a religião, política, economia, valores morais...

É já, por isso, um dos meus livros do TOP 10 de favoritos de sempre, pois levou-me a pensar e muito sobre temas que tinha como adquiridos, mas que se apresentaram diante de mim com novas formas e com novos pontos de vista muito diferentes daquilo a que estou habituado. 

Note-se que este livro foi escrito e publicado no século XVII mas que continua tão pertinente como na altura em que foi pensado.

É um livro desconcertante, que nos testa. Sim, ele testa o nosso limite à dor, embora não a possamos sentir fisicamente, mas ela está lá, naquela frase que nos provoca, que nos faz questionar a nossa humanidade. 

Prova disso é que até meio do livro eu sentia angústia com tudo o que de mal acontecia à narradora da história, mas mais no final houve uma cena em que ri mesmo alto perante o azar da protagonista. Esse riso não foi mais do que uma porção do meu subconsciente a manifestar-se visivelmente. Parece que depois de assistir a tanta tragédia, de tanto reflectir sobre isso, até eu já tinha abandonado a minha virtude para me rir da desgraçada Teresa.

É esse o poder da literatura. E este é um livro demasiado poderoso, por isso foi tantas vezes censurado por políticos e religiosos.

Obrigatório ler. Mas não é para todos, pois acredito que muitos não consigam passar de certas páginas em que as descrições NOJENTAS de certos actos sexuais são extremamente arrepiantes... 

domingo, 12 de julho de 2015

Inside Out: animação para adultos.



Inside Out (Divetida-mente) é facilmente um dos melhores filmes de animação da Disney/Pixar.

Contando a história de Riley, uma menina de 11 anos que vai viver com os pais para uma cidade diferente, deixando os amigos para trás, o filme explora os seus sentimentos de alegria, tristeza, medo, raiva e repulsa, trazendo-os personificados como personagens vivos dentro da sua cabeça.

Não quero fazer spoilers, mas devo dizer apenas que este filme de animação não é para crianças, ou pelo menos os mais pequenos não vão ter o poder e (ainda) o discernimento de compreender toda a forte mensagem que é passada através das aventuras destes sentimentos e do crescimento da própria Riley.

Não estranho portanto que, ao intervalo, um menino de uns 8 anos na fila mesmo à minha frente tenha dito para o adulto que o acompanhava: "Não estou a gostar deste. O filme é muito esquisito."

E é, percebo perfeitamente. O filme tem uma profundidade brutal sobre as "doenças" da nossa mente, sobre as nossas memórias e sobre aquilo que vamos perdendo conforme nos tornámos adultos e vamos envelhecendo.

Nos momentos finais ouvia-se o fungar de várias pessoas, crescidas, pela sala. Também eu chorei e... muito. Tem cenas absolutamente tocantes, que nos lembram de que já passámos por isso e que nos obrigam a reviver momentos importantes do nosso crescimento como pessoas.

Não chorava assim num filme de animação desde Toy Story 3 ou Rei Leão

Só para terem noção do quanto foi impactante ver este exercício sobre a mente do ser humano.

Viajar pela CP? Não, obrigado! Vou de carro.



O NOS ALIVE foi brutal. A CP foi uma porcaria.

O que vos vou contar parece surreal, mas acreditem caros amigos: é a pura da verdade e passou-se na bilheteira da CP no Entroncamento.

Antes disso, só para que percebam. Comprei o meu bilhete para o NOS Alive pela bilheteira online dos CTT. Daí recebi o ingresso por e-mail e tive que imprimir em casa (ainda sou do tempo em que recebíamos os bilhetes por correio, sem gastar tinteiro...)

Chego então à bilheteira no Entroncamento e presenciei um verdadeiro fenómeno. Digo ao senhor que me atende que quero um bilhete de ida e volta com os 30% de desconto a que tinha direito por ter o ingresso para o festival. Mostro então o bilhete do NOS, como pedido. E diz-me o senhor: "Este bilhete não dá para ter desconto"

COMO ASSIM? QUEREM VER QUE TINHA COMPRADO UM BILHETE PARA O TONY NO MEO ARENA POR ENGANO!!! 

Perguntei porquê. Diz-me ele arrogante "Porque não dá e pronto!".

Juro que fiz muita força para me controlar e não dizer coisas gravíssimas que me passaram pela cabeça, e lá disse mais ou menos calmo: "Desculpe lá mas tem que me dizer porque é que não dá, se este é o único bilhete que tenho para o festival, porque é que não dá desconto?".

Diz-me o senhor, ainda mais arrogante: "Porque não dá. E nem tem que perguntar porquê".

Pronto. Aqui explodi logo, pois se há coisa a que tenho alergia é a estes resquícios da ditadura do tens que aceitar e calas-te. Quem me conhece, deve imaginar como esta atitude me revoltou!

Perante a minha insistência já em voz alta, o senhor lá decide mostrar-me no ecrã do seu computador que os bilhetes que (segundo ele e a CP) davam então o tal desconto eram aqueles bilhetes mais verdes e amarelos (que se vendem em algumas bilheteiras). Ao que eu explico que comprei nos CTT e que tive que imprimir e que era um bilhete como outro qualquer e que tinha de ter o desconto e que já me estava a passar!!

Agora, só para fazermos uma pausa, vejam o que está escrito no site da CP. 

Por acaso isto diz aqui que há um tipo de bilhete específico que dá o desconto?!


Diz-me que não, que não ia ter desconto e que ou comprava assim ou não. Faltavam já 5 minutos para o comboio partir e digo-lhe eu: "Muito bem. Não tenho outra alternativa. Mas depois venho cá escrever no livro de reclamações, porque as informações não eram estas. E só não o faço agora porque já não tenho tempo".

E agora PASMEM-SE, diz-me o homem: 


"Não tem nada que escrever no livro. E muito menos tem de o pedir."



Ou seja, voltámos aos tempos da ditadura e então foi aqui que passei-me de vez. Não vou alongar-me com o discurso, mas acreditem que não deixei nada por dizer (e sem nunca perder um pingo de educação! Acreditem que foi possível.).

O homem, claramente muito mal educado, acrescenta ainda uma pérola: "Escreva no livro escreva. Só vai fazer má figura". Ou seja, este senhor é certamente cliente de algum serviço. Imaginemos: um serviço de Internet, prometem-lhe 30% de desconto na factura, não o fazem, ele paga, não reclama, fica calado porque... só ia fazer má figura. 

E como me parece que estávamos claramente em níveis diferentes de cidadania , aqui dei-me por encerrado e só lhe disse que "Você não tem nada que comentar o que eu devo ou não fazer, porque não tem direito algum de dizer o que faço da minha vida".

E acrescentei aquele olhar e estalido da língua de "THE END!".

Embarquei no comboio, sem desconto, revoltado e vou lá voltar DE PROPÓSITO para escrever no tal livrinho (mas é que nem que tivesse que fazer 50km, a questão aqui já não se prende só com o desconto, mas sim com toda a situação). Vou enviar e-mail a reclamar. Vou ligar para a linha de apoio a reclamar. Vou escrever aqui, partilhar no facebook, no twitter, no instagram, acho que até vou criar uma rede social só para isto. Porque estas plataformas não existem só para nos divertimos, também podem funcionar como um alerta e como forma de nos fazermos ouvir.

Esta situação ultrapassou o limite do ridículo e porque certamente aconteceu a mais pessoas neste dia. Duvido é que tenha calhado a todos um mini-salazar como a mim.

Ao senhor, sem qualquer rancor, e a quem passa por estas situações e não reclama o seu direito, tenho apenas uma música a dizer, em jeito de animar um bocadinho a coisa: "Sou da geração: vou queixar-me para quê?" (para fazer má figura?)

Pois sou, mas eu não sou parvo! E enquanto for direito meu queixar-me, irei usar e abusar dele sempre que tenha razão.

Note-se que já fiz 2 reclamações na CP antes, só para dar uma ideia do excelente serviço que é. Não admira que esteja na situação em que está. Mas isso são outras histórias, que ficam para outro dia. 







quinta-feira, 9 de julho de 2015

Entrevista: Ana Ribeiro



Ana Ribeiro é a autora do livro "Um amor inexplicável", um romance que conta a história de João Pedro, jovem que descobre o amor enquanto trava uma dura batalha contra a leucemia. Falei com a Ana sobre este seu livro e também sobre outras leituras e projectos futuros.

1 - O teu livro fala-nos de uma doença bastante grave: a leucemia. De onde surgiu a ideia de abordares um tema assim tão forte?
Primeiro que tudo pelo facto de ser licenciada num curso ligado à saúde e ser um tema pelo qual sempre tive bastante interesse. Depois pelo facto de ser um tema muito actual - praticamente todos os dias ouvimos ou lemos notícias de pessoas que morrem devido ao cancro - e já bastante abordado em filmes e livros que fui vendo e lendo; foi devido a essas experiências e a casos de crianças portuguesas com leucemia que acompanhei pelo facebook que surgiu a ideia de abordar este tema no meu livro.

2 - Buscaste inspiração em alguém ao teu redor para criares os personagens principais, João Pedro e Laura?
Não! Inspirei-me essencialmente em personagens de filmes e livros que vi e li. Um dos livros que mais me inspirou foi o da Sofia Lisboa: "Nunca desistas de viver". Vale a pena ler.

3 - Como está a ser esta experiência de lançar o teu primeiro livro com a Capital Books? Era um sonho de há muito tempo ou mais recente?
Esta não é a minha primeira experiência no que diz respeito a lançamentos de livros, em 2011 editei um livro de poesia; no entanto, é a primeira vez que lanço um romance (um género literário que gosto muito!) com a Capital Books. Estou a adorar a experiência, a equipa da editora é bestial e está a ser um sonho tornado realidade porque sempre quis muito publicar esta história. Por ter sido a história mais desafiante que escrevi, pelas lições de vida e aprendizagens que retive durante o seu desenvolvimento, por me ter tocado particularmente e ter muito significado para mim.

4 - Como escritora, tens algum outro autor como referência?
Sim! O José Luís Peixoto, adoro a sua forma de escrever, de se expressar. A maneira como cativa facilmente quem o lê, os seus livros e textos são baseados nas coisas simples do dia-a-dia, que podem parecer insignificantes, mas ele dá-lhes um valor enorme. Recordo-me agora de uma das crónicas dele da revista "VIsão" que se centrava num simples boné. 
Gosto da sua simplicidade e humildade.

5 - Tens algum livro preferido? Ou vários?
Tenho vários. É difícil escolher um, porque como disse houve vários que me marcaram. No entanto, dou o exemplo de um "A Saga de um Pensador" do Augusto Cury. Aconselho e recomendo a leitura, é fantástico.

6 - Agora que foi publicado o teu primeiro livro, tens algum projecto futuro também ligado à escrita?
Sim! Já tenho outros romances terminados e o próximo a ser editado já está escolhido. Estou a desenvolver agora um romance ao qual chamei "Mundo a Preto e Branco" que aborda a temática da internet e das amizades virtuais.
Também ando há algum tempo a amadurecer a ideia de me estrear na escrita de uma peça de teatro, é algo que quero muito fazer, por ser algo diferente e exigente. Mas até agora achei sempre que não tinha conhecimentos suficientes para isso, ainda preciso de ler muito sobre teatro.

7 - Como leitores, o que podemos esperar antes de começar a ler o teu livro? 
Um livro onde a amizade e o amor são os ingredientes principais, várias aprendizagens e lições de vida que o João Pedro vai deixando ao longo da sua batalha contra a doença. E uma forma diferente olhar a vida.

Página de facebook e blogue da autora: 
https://www.facebook.com/anafrdiasoficial
https://omeublogdeescrita.wordpress.com/



quarta-feira, 8 de julho de 2015

MUSE no NOS Alive

É já amanhã que vou ver MUSE pela 2ª vez ao vivo (a primeira foi em 2013 no Estádio do Dragão)

Já concretizei esse primeiro sonho, mas é bom demais saber que vou ter esta segunda oportunidade no NOS Alive.

Eles são, na maior parte das vezes, a banda-sonora da minha vida, com letras e temas que reflectem muito daquilo que eu penso. E nem é preciso comentar o que são ao vivo, porque só o facto de ir ver uma segunda vez, já diz tudo.

Ansioso, muito ansioso para estar lá.


segunda-feira, 6 de julho de 2015

Apresentação do livro na Fnac

Ontem na Fnac foi assim a apresentação de "O dia em que nasci"

Um dia em grande que ficará sempre recordado de forma muito especial.



Sessão de autógrafos.



quarta-feira, 1 de julho de 2015

AC III: Aula de História aborrecida



Só agora terminei de jogar o Assassin's Creed III.

É um jogo enorme, gigansteco no aspecto de que temos muito para fazer, com muitas missões secundárias para nos entreter.

Tem níveis de produção altíssimos, acrescentando novas modalidades de jogo à saga, como a opção de subir às árvores para explorar ou as batalhas navais.

Mas tem um grave problema. O jogo começa muito bem (atenção a pequenos spoilers), colocando-nos na pele do pai de quem virá a ser o verdadeiro protagonista da história. Cedo percebemos que o pai é um templário e esse foi um twist engraçado para começar, mas depois - já a história entregue a Connor - demora muito tempo a arrancar, arrastando-se por missões sem grande interesse, forçando acontecimentos Históricos que nem sempre encaixam bem no nosso rumo. E, admito, estive mesmo quase para o deixar a meio, tal era o meu grau de aborrecimento.

Há quem dê mais valor aos gráficos, outros dão mais importância à jogabilidade, mas eu sou um viciado nas histórias e o caminho do Connor foi em grande parte uma enorme seca, nem sequer puxava para jogar.



Felizmente, nas sequências finais o jogo melhora bastante nesse aspecto, assumindo até contornos épicos, principalmente no que toca ao desenvolvimento do personagem e a partes com batalhas navais. Mas... sente-se que isso já vem um pouco tarde, apesar de por outro lado justificar a longa viagem até aí.

Juntando a isso o facto de a arquitectura das cidades ser muito básica e quase sempre igual, não sobra muito por onde defender com mais força este episódio da saga. Sei que isso tem a ver com o contexto Histórico, pois nesta altura o desenvolvimento ainda era pouco nos USA, sendo que os edifícios não têm nada de majestosos em comparação, claro está, com a Itália renascentista da era de Ezio. Mas... escolhessem então outra época histórica mais dada a esses traços épicos da arte de construir cidades apelativas, sim?

É no entanto, um jogo obrigatório para os fãs de Assassin's Creed, também pela história principal (a de Desmond Miles) que aqui tem um desfecho importante. Para quem não é fã, talvez até seja um jogo bom, visto que não vão ter termo de comparação com os anteriores, e até o podem considerar muito melhor vendo desse ponto de vista.