quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Serviço Voluntário - Portugal em Itália

Ragazzi in Italia!

Já tinha sentido isto assim quando os meus pais vieram cá visitar-me e estivemos juntos 5 dias em Roma, mas agora chegou a altura de escrever mais sobre uma nova fase a que sinto ter chegado no meu Serviço Voluntário Europeu.

Falo de algo que é um acréscimo, que não faria à partida parte obrigatória deste trajecto.

Há dias recebi aqui o Pedro, que é alguém muito especial para mim. 

E tal como aconteceu com os meus pais, tive oportunidade de andar com o Pedro por sítios que já conheço muito bem e de lhe mostrar as cidades pelas quais já me apaixonei

Mas também visitámos algo que eu ainda não conhecia. A cidade de Pisa

Depois partimos para Firenze (Florença) e ainda viemos a Forlì (a minha cidade).

Caminhar pelas ruas de Firenze com o Pedro ao meu lado, enquanto lhe explicava o porquê daquela casa ser assim, por que estava ali aquela obra de arte, por que razão a rua tinha aquele nome, foi - em suma - elevar-me a um novo estado de gratificação a que não tenho acesso todos os dias. Eu já tinha estado ali sozinho, mas agora foi completamente diferente.

Foi sentir novamente aquela felicidade súbita de mostrar às pessoas de quem gosto como já estou imerso nesta cultura e  a vontade que tinha de lhes fazer ver toda a História que aqui se conta.

Durante os 10 meses em que aqui estarei (e já lá vão 5!) esta parte era opcional. Eu poderia ou não receber a visita dos meus pais, dos meus amigos, etc; mas agora que isso já aconteceu (e mais pessoas virão), tinha que explicar-vos como encontrei uma nova forma de partilhar aquilo que tenho de mais precioso.

Não sou rico. Em dinheiro (como diz a outra). Não posso levá-los aos restaurantes mais caros, mas estou certo de que nada ultrapassará a partilha que se consegue assim, apenas através de uma caminhada, de palavras, gestos, emoções. Não é algo palpável, mas é algo que se sente e bem.

Ainda por cima o Pedro conheceu o Centro onde sou voluntário e nem sei bem explicar porquê, mas depois disso sinto que pertenço mais a este lugar. E ter direito a esta experiência a meio do meu Projecto de voluntariado é algo pelo qual terei que agradecer e muito.

Antes de ele voltar para Portugal, pedi que se sentasse ao meu lado e escutasse algo que eu tinha para ler.

Era uma passagem do livro O Principezinho e que, entre muitos bons ensinamentos, diz algo que em duas frases resume perfeitamente aquilo que quero dizer:

"Só se vê bem com o coração. 
O essencial é invisível para os olhos."

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Mas que mal te fiz eu?



Eu. Um indivíduo ao acaso numa sociedade qualquer.

Quanto mal te posso ter feito que te leva assim a sair à rua a gritar contra mim?

Mas alguma vez eu me importei se tu podias casar-te ou adoptar uma criança?

Pensas em mim quando escreves essas palavras de ódio nesses cartazes? Imaginas uma pessoa quando pintas essas letras? Ou idealizar um ser humano é demais para a tua compreensão? 

Que terei eu feito que despertou em ti essa fúria?

Eu. Uma pessoa qualquer num lugar aleatório. Eu, na minha vida, sem me importar.

Imaginas sequer o que sinto quando escreves esses comentários que desejam a minha morte?

Conheces-me? Ou conheces algum dos meus amigos? Alguém da minha família?

Conheces pelo menos alguém que ficaria triste se eu por acaso de repente fosse aniquilado pelo desrespeito que semeias?

E porque gritas contra mim

Eu já gritei contra ti

Alguma vez na minha intimidade eu me chateei sequer com a tua existência?

Eu quero lá saber quem és ou o que fazes! E tu, porque queres tanto saber de mim?

Porque não podes sequer seguir a tua vida sem interferir com a minha?

Que te importa se amanhã não me caso? Que te interessa se quero ter filhos como tu?

Porque tens de o exibir na TV, rádio, jornais...?

Mas que mal te fiz eu, afinal?

Eu, um indivíduo qualquer, numa comunidade, sociedade, lugar do mundo, sei lá, onde não quero ser mais do que eu próprio.

E tu: porque queres ser tanto nas vidas que não são tuas?

Já pensaste por acaso que nessa manifestação em que gritas ódio contra mim poderás também estar a mostrá-lo a algum dos teus, da tua família, dos teus amigos, colegas, que também os odeias?

Que mal te fizemos nós?

Respondes?

[ opinião ] JOY: a alegria de Jennifer Lawrence



Baseando-se numa história real, este filme conta como Joy Mangano (Jennifer Lawrence) se tornou uma das empreendedoras com maior sucesso nos Estados Unidos da América

De início, o filme adverte logo que se baseia nessa história, mas que tem algo de livre ao basear-se também nas vidas de outras mulheres igualmente desafiadoras e bem sucedidas (e anónimas). 

Depois entramos num drama que é muitas vezes elevado à comédia, com caracterizações hiperbólicas dos personagens ou situações que se aproximam do bizarro. Gostei especialmente da mãe que nunca sai do seu quarto porque está depressiva e sempre a ver telenovelas. Fez-me rir bastante.

Joy tem assim um tipo de humor que eu aprecio muito, mas não deixa de ser estranho que esse seja o ponto mais fraco do filme, pois muitas vezes o realizador deixa transparecer a ideia de que não se sabe muito bem para onde nos dirigimos, se para algo sério sobre a vida da mulher que inventou uma esfregona revolucionária (e só de pensar nisto, dá-nos logo para rir) ou se é suposto apenas olharmos para tudo sem grande importância.

Mas penso que é por isso mesmo que tantas vezes se chama dramédia a este género.

Vale a pena ser visto, principalmente pela actuação brutal da Jennifer Lawrence (nomeada para o Oscar por este papel) e que mais uma vez se assume como uma das melhores actrizes do cinema actual. Não esquecendo, claro, Robert De Niro e Bradley Cooper




terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

[ opinião ] Bridge of Spies: Ponte dos Espiões



Um filme de espiões na Guerra Fria. Não nos parece que já vimos isto antes?
E a verdade é que vimos. Mas Steven Spielberg pegou neste filme à sua maneira, dando-lhe uma excelente produção, com momentos de tensão pulsante. 

Para isso contribui e muito também o excelente trabalho dos actores Tom HanksMark Rylance, principalmente o deste último, que é completamente sublime e brilhante naquilo que faz.

Bridge of Spies traz-nos aquela sensação de nostalgia, até de um certo déjà vu, mas não sem nos afirmar fortemente que as suas regras, clássicas de um antigo cinema americano, não estão esquecidas. Elas trazem-nos afinal a lembrança agora bem presente de um tipo de cinema que ainda brilha.

É aí que o filme atinge o seu ponto máximo.

Mas será também por isso que este não será agradável para todos, deixando um pouco de parte algumas gerações mais novas, de espectadores, que já não se encaixam neste desacreditar tão saudável desta forma de (re)contar uma História. 

Está nomeado para 6 Oscar, incluíndo o de Melhor Filme e o de Melhor Actor Secundário para Mark Rylance

Por mim, venceria nesta segunda categoria. 

domingo, 31 de janeiro de 2016

O Elevador - ler para ajudar



O Elevador relata a atribulada subida de 5 estranhos num funicular de uma cidade. Ali cruzam-se com um ser misterioso, que os leva a um desfecho inesperado. O Elevador é uma estória que quer despertar a sua atenção para a assustadora falta de olhar que está a propagar-se pela sociedade, tornando-a apática até aos assuntos mais sensíveis.

E foi também por isso que decidi fazer deste conto algo que contribuísse para uma causa. Desde que foi escrito, em 2014, este conto teve muitos destinos, mas nenhum me pareceu mais apropriado do que este de apoiar uma causa maior.

Como explica a imagem, ao adquirir este conto está a contribuir com a totalidade do valor para o Lar de Infância e Juventude de Torres Novas (que muitas pessoas conhecem como Lar dos Rapazes). Esse valor será usado para adquirir material necessário para o Lar (o que será decidido com a direcção e com os rapazes, que terão uma voz activa nessa escolha). 

O conto está disponível apenas em formato digital (ebook), porque só esse formato permitia comercializá-lo com um valor tão simbólico. Por agora pode fazer a compra neste link, usando a sua conta paypal, mas para quem não tiver uma conta paypal ou para quem não estiver muito à vontade com estas tecnologias, existem outras soluções. A primeira é falar com a Helena Caetano, técnica de acção social e minha amiga que está ajudar-me e muito neste projecto. É simples: basta entregar 1€ à Helena e deixar o seu e-mail. O conto será depois enviado para o e-mail e pode disfrutar da leitura no seu computador, tablet, smartphone... 

Outra solução passa pela colaboração das escolas e outros espaços de Torres Novas. Em breve serão colocadas fichas onde pode inscrever o seu e-mail, deixando 1€ num "mealheiro". Ao fazermos a recolha, o conto será também enviado da mesma forma descrita atrás. Mais novidades sobre isso surgirão entretanto.

Se por algum motivo tiver alguma ideia que possa ajudar, saiba que pode contactar-me à vontade aqui no blog. Tudo o que seja para ajudar a levar o projecto mais longe, será sempre bem-vindo.

Resta-me deixar alguma informaçao sobre o "Lar dos rapazes", e agradecer a todos aqueles que estão a tornar este sonho possível.



"O Lar de Infância e Juventude acolhe 12 jovens, com idades entre os 12 e 18 anos, que se encontravam em situação de risco ou perigo, proporcionando-lhes acolhimento 24 horas por dia, 365 dias por ano, visando não só a satisfação das suas necessidades básicas, mas também a educação, cultura, conforto e o envolvimento afetivo necessários para o seu saudável desenvolvimento.




O grande objetivo do Lar é tornar cada criança e jovem FELIZ, definindo com ele um projeto de vida sustentável e promovendo a sua integração social.
Para isso todo o trabalho desenvolvido com os jovens é pensado e organizado de forma terapêutica, contando com uma equipa especializada integrada por 1 Assistente Social, 2 Psicólogos, 1 Professor e 6 Educadores, que garantem a intervenção individualizada a todos os jovens.


A intervenção terapêutica, individual e em grupo, é um eixo central da nossa intervenção e um meio importante para a estabilidade emocional e sucesso dos jovens, sendo por isso assegurada diariamente pelos psicólogos. Todos os jovens têm também um educador que garante a atenção às mais pequenas necessidades do seu educando, ajudando-os a superar as dificuldades do dia-a-dia e a celebrar os sucessos."

Pode visitar a página do Centro aqui.


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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A origem da subida

A história "O Elevador" foi escrita em 2014, inspirada em algo que realmente aconteceu comigo num dos elevadores da Covilhã nesse mesmo ano. Inspirei-me em algo em que reparei numa subida que ali fiz com os meus pais. Claro que isso foi apenas um rastilho para a vaga de criatividade que depois acendi no que escrevi. Muito mudou, até o nome do elevador, mas a base está lá. Até neste excerto ela está presente.
Essa história foi lida pela primeira vez, em voz alta, a uma amiga, num dia muito quente desse Verão, numa das piscinas vizinhas à cidade. E agora, dois anos depois, esse texto vai ser publicado pela primeira vez. Com uma missão. Uma grande missão, sobre a qual falarei no próximo dia 31.
Por agora tinha que explicar a sua origem, pois devo muito a essa cidade. Inspiração nunca me faltou por lá.
E não há maior orgulho do que agradecer-lhe assim, com algo que escrevi, tornando-a eterna nas minhas palavras.


[ opinião ] Brooklyn: não subestimem esta obra



"Ellis Lacey emigra para os Estados Unidos, deixando a Irlanda, terra natal, indo à procura dos seus sonhos no outro lado do oceano. No ínicio da sua nova vida nos EUA, sente falta do que deixou para trás, mas aos poucos vai ajustando-se, até que começa um romance com Tony, filho de imigrantes italianos. Quando o seu passado regressa, terá que escolher entre dois países e as vidas que existem entre estes."

Esta crítica é tudo menos isenta de sentimento. É impossível afastá-lo daqui. 

Talvez seja porque neste momento estou a viver num país estrangeiro (Itália!). Talvez seja porque estou longe de Casa. Mas há muito tempo que não chorava tanto com o final de um filme. E o que senti foi que estavam a entrar dentro de mim e a expor tudo aquilo que eu nem consigo escrever. E não nego que tudo isso tenha pesado na hora de o ver. Mas há algo incontornável. Brooklyn aproxima-se de nós como um simples filme de romance, de uma emigrante irlandesa que vai à procura de um futuro melhor noutro país. Mas depois revela-se uma obra poderosa sobre a saudade e as dificuldades que uma pessoa estranha num mundo novo sente ao tentar adaptar-se. E como é que uma história ambientada nos anos 50 do século XX consegue ser tão actual?

Uma actuação excelente de Saoirse Ronan (Ellis), que convence, ajuda a envolver-nos ainda mais na história. Ela transmite a insegurança inicial de uma forma arrebatadora (como o facto de não conseguir sorrir)... mas também transmite e bem a transformação que ocorre com a sua nova experiência. O argumento, num guião muito bem escrito, também ajuda e muito, com cenas que são simplesmente acutilantes, no sentido que nos tocam directamente em pontos sensíveis. 

E pelo meio há uma cena que grita muitos dos medos que só quem vive distante daqueles que ama, consegue entender a 100%. Sem spoilers, mas digamos que é aquele medo de não chegar a tempo... e é aí que o filme se transforma de todo e se assegura como uma obra-prima do cinema.

De todos os nomeados que já vi, Mad Max e The Revenant eram os únicos aos quais eu entregava o Oscar. Mas este Brooklyn apanhou-me completamente de surpresa. Obrigatório ver!




"Sentirás tantas saudades de casa e não há nada que possas fazes, além de esperar. Mas vais esperar. E isso não te vai matar. E um dia, o sol aparecerá. Talvez não notes de imediato, mas vais senti-lo."