sábado, 27 de fevereiro de 2016

Oscars: as minhas escolhas



Aproxima-se a grande noite do Cinema. E aqui está a minha lista de preferências para algumas das principais categorias. Apesar de metade dos meus filmes favoritos do ano passado nem estarem nomeados nesta edição, tenho que admitir que temos grandes filmes nesta corrida. E isto só me leva a concluir que 2015 foi de facto um grande ano para a sétima arte.

A lista está ordenada conforme a minha preferência, de cima para baixo, do favorito ao menos apreciado. 



MELHOR FILME

- Mad Max
- The Revenant
- Brooklyn 
- The Martian
- Room
- Spotlight
- The Big Short
- Bridge of Spies






MELHOR ACTOR

- Bryan Cranston (Trumbo)
- Michael Fassbender (Steve Jobs)
- Eddie Redmayne (The Danish Girl)
- Leonardo DiCaprio (The Revenant)
- Matt Damon (The Martian)






MELHOR ACTRIZ

- Cate Blanchett (Carol)
- Jennifer Lawrence (Joy)
- Saiorse Ronan (Brooklyn)
- Brie Larson (Room)
- Charlotte Rampling (45 Years)




MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO

- Tom Hardy (The Revenant)
- Mark Rylance (Bridge of Spies)
- Christian Bale (The Big Short)
- Mark Rufallo (Spotlight)

- [ não vi, excluído da lista ] Sylvester Stalonne (Creed)


MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA

- Alicia Vikander (The Danish Girl)
- Kate Winslet (Steve Jobs)
- Jennifer Jason Leight (The Hateful Eight)
- Rooney Mara (Carol)
- Rachel McAdams (Spotlight)








Melhor argumento original

- Ex Machina
- Inside Out
- Spotlight
- Bridge of Spies 

- [ não vi, excluído da lista ] Straight Outta Compton

Melhor argumento adaptado

- Brooklyn
- Carol 
- Room
- The Martian
- The Big Short

Melhor Banda-sonora original

- Carol
- Star Wars: The Force Awakens
- Bridge of Spies 

(excluídos os que não vi)




Melhores Efeitos Digitais

- The Martian
- Star Wars: The Force Awakens
- Ex Machina
- The Revenant


Infancia olvidada - texto de Lola Menargues



Este texto foi escrito pela mãe de uma das minhas colegas do projecto de Serviço Voluntário Europeu (a Laura, de Espanha). Quando ela me deu a ler isto, identifiquei-me de imediato, como se estivesse sido escrito exactamente sobre mim. Mas não foi. E é esse o poder da escrita.

Decidi partilhá-lo aqui, na sua língua original, pois sei que vão entender perfeitamente aquilo que nos quer transmitir. Quantas vezes nos esquecemos daquilo que já fomos?


"Infancia olvidada
Hubo una vez un adulto, al que se le olvidó parte de su infancia. Recordaba muchas vivencias, algunas buenas, otras malas. Pero había olvidado, la parte de su infancia, en que le gustó leer.

Su madre sí lo recordaba. Aquello que comenzó como un juego, el juego de irse a dormir. Mamá entraba todas las noches armada de un cuento. Primero era la sesión de cosquillas y luego venia el premio, un cuento nocturno. Mamá leyó cuentos, tantos, que el niño que todavía no sabia leer, se los aprendía de memoria.

Luego el niño aprendió a leer y él mismo se los leía a mama y su hermanita que llegó después. Cuentos de príncipes y ranas, de lobos solitarios, de tortugas escondidas en jardines. Y poco a poco, fué creciendo. Mamá muchas noches, de madrugada, al levantarse para ir al baño, veía la rayita de luz por debajo de la puerta, el niño estaba otra vez leyendo.Y tenía que apagarle la luz, no eran horas de leer, eran horas de irse al país de los sueños. El niño leía y leía, libros de casa, de la biblioteca, libros prestados. Pero siguió creciendo y un dia, no se sabe como, dejó de leer. Y lo que es peor, de adulto olvidó que había leído. Pero dentro de él estaba plantada una semilla, la que dejan las páginas leídas. Un día, quizá cuando tenga un hijo, esa semilla vuelva a brotar, y aunque sea a través de cuentos infantiles, las palabras volverán a ser leídas, a ser soñadas, volverán a tener alas y volarán, como pájaros azules sobre el cielo estrellado."
Lola Menargues

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

[ opinião ] Deadpool: anti-herói para adultos



Deadpool abre de forma refrescante a época de super-heróis deste 2016.

* SPOILERS *

Num ano em que veremos chegar colossos como Batman V Superman (DC Comics) e Capitão América: Civil War (Marvel), este filme dos estúdios FOX mostra-se como um excelente aperitivo para o que está para vir neste ramo de Hollywood nos próximos meses (não esquecer que ainda teremos filmes do Suicide Squad, Gambit, X-men, etc,).

Só que este tem piadas para adultos, palavrões e muito sexo. E ainda piadas sobre os X-men e Wolverine... e sobre o Batman e Robin (SIM!). 

Este é um filme de super-heróis?

Não. Longe disso. É um filme com um anti-herói descomprometido com o resto do mundo, centrado apenas na missão salvar a sua vida pessoal, com muito sarcasmo pelo caminho. 

Deadpool não tem que salvar o mundo, nem sequer a cidade. Nao há um perigo eminente que vá matar milhares de cidadãos. E é aí que o filme se destaca (um pouco à semelhança daquilo que o Ant-man fez no ano passado... mas num nível muito mais extremo).

Até as cenas de acção, mais sérias, têm sempre algo de divertido. É impossível levá-lo a sério por um momento que seja. E isso é brutal de se ver.

A FOX (porque este filme não é dos estúdios Marvel) arriscou e bem. Tem aqui já uma franquia de sucesso (uma sequela já está confirmada... e o filme já bateu recordes de bilheteira, lucrando já bem mais do aquilo que custou a fazer).

E por falar em orçamento... devo admitir que esse foi talvez o maior problema do filme. Nota-se em algumas partes que podia ter havido mais investimento (não só técnico, o Colossus podia ter aparecido mais). 

E num filme com uma duração de 1.40h, mais 20min para desenvolver a interessante e satírica relação com a velhota "Robin" não faziam mal nenhum nem o prolongavam demasiado.

Mas... hey, o próprio personagem goza com isso quando vai bater à porta da escola dos X-men e diz que o orçamento do filme deve ter sido baixo, pois só encontra sempre dois dos X-man em cena (LOL!).

No fim de contas, é um dos meus filmes favoritos da Marvel (embora não seja do Marvel Studios).

É caso para dizer:

Chupa, Disney!


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Anomalisa ou o sentido da vida



Anomalisa é um dos filmes de animação mais estranhos que já vi. 

E isto não é alguma opinião sobre o mesmo, mas sim uma  breve reflexão sobre tantas questões que o filme levantou. 

Para além de ter algo muito psicológico à mistura e de nunca ser completamente directo, este trouxe-me uma dúvida muito pertinente: qual é afinal o sentido da vida?

Em que direcção vamos?

"Sinto-me uma anomalia." - diz uma das personagens a certo ponto. 

O personagem principal é um homem de sucesso, que escreveu um livro para pessoas que trabalham em call centers, dando dicas de relação com os clientes. E se a grande crítica do filme assenta nas mentiras dos customer service representative ( simplificando: pessoas que atendem os clientes), existe também depois o lado destruído do homem que criou esse "negócio" de sucesso. Ele próprio pede aos trabalhadores que sorriam sempre, porque se nota na voz, mas nem ele consegue forçar-se a tanto. Claro que este aspecto a mim tocou-me de uma forma muito pessoal. 

Mas há mais. A desconstrução dos lugares comuns e a forma como joga com os personagens, levantam ainda mais perguntas na nossa mente. Porque é que todos  (ou quase todos...) os personagens têm a mesma voz masculina? Eu entendi (ou penso que entendi), mas não quero revelar porquê aqui.

Nós temos de facto uma percepção real das pessoas que estão à nossa volta? Sabemos o que é ser humano? O que é estar vivo?

Vou andar a pensar neste filme por muito, muito tempo. É a única certeza que tenho. Termino com uma frase que me ficou:

"Cada pessoa, com quem tu falas, teve uma infância. Cada um tem um corpo. E cada corpo tem dores. Procura o que é especial em cada indivíduo. Foca-te nisso." 



[ opinião ] Perdido em Marte: humor espacial



Devo admitir que, quando comecei a ver The Martian (Perdido em Marte), esperei que fosse uma espécie de Interstellar (o meu filme favorito de 2014, já agora). 

Eu sabia muito pouco sobre este filme do Matt Damon, pois gosto de ser surpreendido. E de facto fui. 

The Martian surpreendeu-me com todo o humor que carrega numa estória aparentemente tão dramática de um astronauta que é deixado para trás numa missão, ficando sozinho, perdido num planeta hostil.

Se o filme nunca deixa de ter o peso de uma estória de sobrevivência, por outro lado dá-nos sempre também o lado cómico do personagem, que até nas situações mais arriscadas tem sempre uma forma mais positiva de olhar para as questões. Para isso recorre-se até muitas vezes a clássicos da música pop/disco como forma de orquestrar alguns delírios (mas não conto mais!).

Isso foi de facto muito refrescante num género, sci-fi, que muitas vezes já deu mostras de precisar de aligeirar alguns assuntos (e é até uma forma que tem resultado bastante bem).

A nível técnico é um filme soberbo. E assume-se como um estado da arte daquilo que deverá ser o padrão dos efeitos especiais nos filmes de ficção científica do futuro próximo.  

Não admira portanto que tenha tido direito à nomeação mais importante para os Óscares da Academia. 


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Serviço Voluntário: o bloco de notas

Anda sempre comigo. 

Escrevi este texto no bloco de notas há cerca de 4 meses. São as primeiras palavras que publico daquilo que tenho escrito neste meu fiel companheiro. E talvez as únicas. 


"5/11/2015 - Forlì - 13:48h

Já estou há um mês em Itália. Na verdade completa-se exactamente um mês só daqui a dois dias... mas que são afinal os dias no calendário? Se já parece que estou aqui há bem mais tempo...
Esta coisa da passagem do tempo é mesmo muito relativa.
Agora já tenho mesmo a sensação de estar mesmo a viver aqui. Não estou em visita. 
Há um mês deixei para trás tudo o que era meu. Trouxe comigo a roupa, alguns objectos como recordação. Trouxe-me a mim. Mas os amigos ficaram. A família também. Os meus livros, os meus jogos, o meu quarto. 
E aqui comecei do zero.
Se há momentos em que sinto uma infinita solidão por necessidades tão básicas como a de querer falar a minha língua-mãe e não poder; também há outros (e muito mais intensos!) em que sinto que todos os dias isto é uma conquista. Todos os dias, sem escapar nenhum, há sempre algo inesperado. E se todos os dias sinto saudade, também me sinto um guerreiro, em luta para construir um novo eu que está em evolução constante a cada passo que aqui dá." 

[ opinião ] CAROL: o amor entre duas pessoas



Anos 50, Carol Aird (Cate Blanchett) está a passar por um divórcio quando conhece Therese, jovem empregada de uma loja de brinquedos de Manhattan. Entre elas surge uma paixão que vai desafiar as regras das suas vidas.

Gostaria que alguém me explicasse como é que filmes como Bridge of Spies e Spotlight estão nomeados para o Oscar de Melhor Filme e este Carol não mereceu sequer esse destaque?

Não é que estes filmes entre si tenham alguma relação, ou que um desprestigie os outros.

Mas Carol afirma-se como uma obra de excelência do cinema em todos os aspectos: da realização à edição, passando pela fotografia, argumento...

E brilhando depois ao máximo com as duas actrizes principais (Cate Blanchett, Rooney Mara) e no campo do som, destacando-se uma banda-sonora impactante e que tem de ser premiada!




E eu sei, tem 6 nomeações para esses prémios do cinema. Não são poucas. Mas falta-lhe ali a mais visível. Merecia pelo menos a honra de constar entre os nomeados do prémio mais importante da noite.

Carol é um dos meus filmes favoritos do ano passado e, dentro da temática LGBTI, provavelmente o meu filme preferido de sempre. 

A sensibilidade, a forma como foi filmado, a mestria e naturalidade com que a estória nos é contada, fazem dele um filme obrigatório. É o filme mais romântico de 2015 e conta a história de uma paixão entre duas mulheres, sem nunca fazer do tema um espalhafato.  
Esta estória de amor vai tocar a todxs, independentemente do tipo de amor que cada um tenha na sua vida. Independentemente de tudo.