quinta-feira, 24 de novembro de 2016

[ livro em destaque ] A Democracia - Bernard Crick




Todas as quintas-feiras vou trazer-vos uma sugestão de leitura, que pode ser de um livro clássico ou mais recente, independentemente do género ou autor, desde que não seja um dos livros mais falados do momento (vocês sabem, aqueles que geram o buzz mediático entre leitores). A ideia é dar destaque a obras que não devem ser esquecidas. 


Começo por um livro que não é propriamente de leitura fácil, mas que é bastante desafiador do pensamento.

O autor, Bernard Crick, foi um teórico político inglês que dedicou parte da sua vida ao estudo dos vários conceitos... políticos. 

A Democracia é portanto um livro que debate sobre os significados da palavra que lhe dá o título. Com recurso a muita contextualização histórica, a obra passa pela antiguidade greco-romana, pelas revoluções francesa e americana, entre outros pontos bastante interessantes da História, como a queda do muro de Berlim.

Para além disso, não faltam referências ao trabalho de outros historiadores e filósofos como Jean-Jacques Rousseau e Maquiavel, ou mesmo à obra literária de George Orwell (1984). 

Apesar de ter vários tipos de contextualização, o livro acaba por ser difícil de acompanhar para quem não tenha boas bases da História mundial, mas por outro lado pode tornar-se um incentivo para fazer outras pesquisas ao mesmo tempo em que se faz a leitura. Atente-se que não é um livro muito extenso, apenas com 120 páginas, por isso sente-se que alguns dos temas podiam ser melhor aprofundados (ainda que esse trabalho possa ser feito pelo leitor, como já mostrei).

É de facto uma obra bastante rica, que nos ajuda a diferenciar os vários tipos de democracia e até a entender, ou não, o que está mal nos nossos sistemas políticos actuais.

Escolhi este livro como sugestão por motivos óbvios. Vivemos tempos de mudança no cenário político global (para melhor? para pior?) e assistimos cada vez mais ao ecoar de vozes de um certo tipo de populismo que parecia adormecido.

Não querendo levantar um debate político, fica apenas esta indicação de leitura, com a esperança que vos ilumine de alguma forma as ideias sobre um dos conceitos mais usados no mundo actual: a democracia. 


Encontra-se à venda na Fnac (não encontrei na Bertrand ou Wook por exemplo).

terça-feira, 22 de novembro de 2016

[ opinião - cinema ] O Herói de Hacksaw Ridge



Filmes sobre a segunda Guerra Mundial e patriotismo americano há muitos, mas haverá poucos que falem de um homem que foi para a guerra recusando-se a tocar numa arma que o ajudasse a matar.

Baseado na história real de Desmond T. Doss, O Herói de Hacksaw Ridge traz-nos a luta de um jovem que queria estudar para ser médico e não conseguiu, devido aos problemas financeiros da família, o que o levou mais tarde a alistar-se no exército norte-americano para assim participar na segunda Grande Guerra. Mas o seu objectivo era apenas salvar os seus companheiros, sem recurso a armas, desafiando todas as regras do exército. 

Este é um filme poderoso, ainda que na sua primeira parte assente demasiado nos cliché do género (como aquele do jovem que parte para a guerra e deixa a namorada em casa)

As convicções de Desmond são sobretudo religiosas e é daí que vem muita da sua resistência em pegar numa arma. Embora isso possa ser algo que à partida pode afastar os espectadores menos religiosos (como eu), é impossível não ficar emocionado ao ver a sua persistência em lutar pelas suas crenças e por aquilo que considera mais correcto.

É por isso, quando o filme deixa aquele território já muito explorado em películas de guerra, que a história deste homem ganha fulgor e se destaca. Curiosamente é também nessa segunda parte, a melhor, que tudo se torna mais violento graficamente, com cenas tão explícitas que fazem lembrar de imediato outra obra do Mel Gibson, o mesmo realizador de A Paixão de Cristo

Religião e patriotismos à parte, diga-se a verdade, estamos perante um dos grandes filmes do ano, que só não é épico do início ao fim por querer ser demasiado explicativo (e contextual) no começo. 

Ainda assim, a excelente realização, edição e banda sonora dos momentos cruciais da última parte são mais do que suficientes para o elevar ao patamar dos melhores filmes do género.

Destaque ainda para a brilhante interpretação do actor Andrew Garfield, que na perfeição retratou este homem determinado e firme na perseguição das suas convicções.






sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Itália: TOP 15 das cidades que visitei



Então... depois de muitos meses do meu regresso, finalmente, consegui fazer o meu TOP de cidades/sítios favoritos em Itália

Durante o tempo em que vivi lá (10 meses), visitei mais de 30 lugares... e acredita que isto foi muito difícil de fazer! 

Itália é um país lindíssimo e com tanta diversidade cultural e de património histórico que é quase impossível escolher um lugar favorito sem ser automaticamente injusto para com os restantes. Para isto quis destacar também cidades que não são tão turísticas, pois muitas vezes são tesouros escondidos, mas como vais perceber... o topo da lista é feito de cidades muito populares. A questão é... estas são bastante famosas por algum motivo e é impossível fugir a isso.

Mas vá... devo dizer que os primeiros 4 lugares foram os mais difíceis de escolher. E sei que muitas pessoas vão discordar do meu número 1, mas deixa-me deixar explicito que obviamente a minha opinião foi baseada naquilo que estes locais me fizeram sentir e por isso é extremamente pessoal.

E para contrariar um pouco isso decidi não usar fotos tiradas por mim e servi-me do google para obter as imagens usadas e manter isto o mais relatable possível, mas também para dar o mínimo de detalhes sobre cada lugar (só usei uma foto de cada, pois quero que descubram por vocês!).

Para facilitar dividi as regiões só entre norte, centro e sul (embora algumas sejam mais a nordeste, sudoeste, etc).





15 - PISA (região: Toscana)

Começando por baixo. Muitas pessoas pensam que Pisa só tem a torre inclinada para ver, blá, blá! A verdade é esta: Pisa é linda! Caminhando pela cidade poderás encontrar muitos pontos interessantes. Só na praça desta imagem há outro monumento brutal... que não está visível na foto. Vai! Vale a pena!





14 - MILANO (Milão, região: Lombardia, norte)

Oh... Milano! A cidade que todos amam odiar. Mas tens que ir e ver o Duomo e a Galleria Vitttorio Emanuele II. Esta é a galeria de lojas super caras como a Prada e a Versace, mas não acho que devas ir por uma questão de moda... e sim porque vais deparar-te com a magnificência da arquitectura (mais moderna). 





13 - PERUGIA (região: Umbria, centro)

Tens que subir e descer as ruas de Perugia para perceber quão fantástica é esta cidade (construída no topo de colinas). Eu fiquei maravilhado e surpreendido... também tens que visitar os fabulosos e históricos túneis que outrora faziam parte de uma verdadeira cidade subterrânea nesta localidade. Não digo mais, porque o giro é descobrir quando se chega lá!






12 - POMPEI (região: Campania, sul)

Falando de História... podes argumentar que aqui só há ruínas. E é verdade... mas olha com mais atenção, olha à volta e vê o vulcão Vesúvio logo lá ao fundo...e vais amar! Para além disso, a viagem de comboio até Pompeia mostra-te parte da costa do sul de Itália e chegado às ruínas da cidade poderás visitar o interior das casas e perceber como se vivia lá, antes da erupção vulcânica que destruiu tudo. 




11 - GUBBIO (região: Umbria, centro)

Simplesmente uma das vilas mais fantásticas onde já estive. É como viajar no tempo, senti como se estivesse dentro de um conto de príncipes e princesas muito antigo, onde cada rua e casa parecem ter sido mantidas de forma inalterada. Subir ao topo do monte e apreciar a vista sobre o vale e as montanhas é algo que não tem preço. Não é tão fácil de lá chegar... mas vale o teu tempo, acredita!





10 - ORVIETO (região: Umbria, centro)

Outra vila onde não é tão fácil chegar... apesar de não ser muito longe de Roma. A sua catedral é um das mais fantásticas peças de arte e da arquitectura que vi em Itália. Orvieto está no topo de uma montanha por isso espera uma paisagem de te tirar a respiração. E é outro dos locais que parece ter ficado brilhantemente parado no tempo.  




9 - RAVENNA (região: Emilia-Romagna, centro/norte)

Uma pequena cidade que tem muita importância. Aqui poderás visitar o túmulo de Dante (os dois túmulo aliás, numa história muito característica que poderás descobrir quando visitares o local). E aqui apaixonei-me por cada edifício que vi. É tão diferente, tão bonita! Curiosidade: Ravenna também tem uma torre inclinada como a de Pisa (e estas não são as únicas neste país).





8 - VITERBO (região: Lazio, centro)

Na parte antiga desta cidade senti como se estivesse no set de filmagens de um filme do Senhor dos Anéis (ou algo do género vá!). É realmente tão romântica e épica ao mesmo tempo que torna-se de imediato uma vaga de inspiração num simples caminhar por aquelas ruas. Acrescente-se a isso os vários contrastes arquitectónicos que este sítio tem e temos um selo de "obrigatório visitar". 




7 - TRIESTE (região: Friuli-Venezia Giulia, norte)

Esta foi tão diferente de tudo o que vi em Itália. Trieste é muito organizada, muito limpa e bonita em cada canto. Eu chamei-lhe a "cidade branca", devido às cores que imperam nas suas paredes, chão, etc. E fica na costa do mar adriático... o que lhe dá uma aura especial nas noites quentes de Verão. Acredita! Trieste é um tesouro escondido!





6 - BOLOGNA (região: Emilia-Romagna, centro/norte)

É muito injusto que Bologna não seja um dos pontos mais turísticos deste país, porque a cidade merece-o. Mas ao mesmo tempo é mesmo bom que não o seja, porque assim consegues visitar tudo sem o caos e confusão de turistas. É lugar mágico, cheio de História, mitos e edifícios seculares que te deixam a questionar como raio é possível que ainda ali existam assim em tão perfeitas condições. E tens que subir à torre mais alta das Duas Torres (uma também é inclinada e não dá para visitar por ser perigoso). A vista lá de cima, sobre a cidade, é inesquecível. 





5 - ROMA (região: Lazio, centro)

Fontana di Trevi, Coliseu, Piazza del Popolo... a lista continua e continua. Há tanto para ver e fazer na cidade eterna. Como não amar? Mas porque não é o meu número 1? O trânsito e caos turístico são um problema real em Roma... que não consegues ultrapassar facilmente. E isso prejudica muito a experiência. Mas é óbvio que tens de ir lá. Roma é única, não há igual, e vais amá-la de qualquer das formas.






4 - SIENA (região: Toscana, centro)

Siena. Antes de mais, devo ser completamente sincero nesta. Siena é sem dúvida nenhuma a cidade mais bonita que visitei em Itália. Foi a última onde fui e só estive lá um dia. Por pouco seria a minha número 1 nesta lista, mas o facto de ter estado mais tempo nas outras 3 pesou bastante... pois acabei por ter mais vivências e experiências nessas. Bem... ainda assim Siena foi uma enorme surpresa para mim. Eu não esperava sentir tantos arrepios quando cheguei à Piazza del Campo (no centro). É um local que te arrasa... pela forma como foi projectado, com tanta beleza, com o seu pavimento de pormenores únicos que te deixam sem... chão. Não há foto, vídeo ou palavra que façam justiça ao épico que é este lugar. 




3 - FIRENZE (Florença, região: Toscana, centro)

É o meu grande amor. Fui lá 5 vezes. E só isso diz muito sobre o sentimento que tenho por esta cidade. Ela é arte em cada passo, cada esquina, cada janela, cada detalhe. A praça do Duomo é de levar uma pessoa mais sensível às lágrimas quando ali se chega pela primeira vez, com um poder que transcende, baseado em tantos anos de História que ficaram ali marcados. Escapar das vias mais turísticas e perder-se nas vielas mais abandonadas pode levar a uma das melhores experiências da tua vida, que é descobrir que esta cidade é História em toda a parte. Mas claro, terás que ir aos locais mais icónicos e ver a perspectiva da cidade da piazza Michelangelo, subir à torre do Duomo, passar a Ponte Vecchio... e mais, e mais! 




2 - NAPOLI (Nápoles, região Campania, sul) 

Napoli. Muitos dizem que esta cidade é perigosa, por causa da Máfia e do crime, mas para mim o perigo real foi apaixonar-me desde o primeiro instante em que ali cheguei. Pode não ser a cidade com os monumentos mais bem conversados... pode ser mais suja... e até mais plena de confusão, mas a magia de Napoli está nas ruas apertadas onde passam 3 e 4 vespas de uma vez, conduzidas por alguém sem capacete, a magia é percorrer a costa junto ao mar e acabar num dos castelos históricos, é morrer de calor às 2 da manhã em Agosto, comer pizza por 2 e 3€ (o sul de Itália é muito barato em comparação com as restantes regiões). Bem... Napoli tem que se viver verdadeiramente, de mente aberta, aceitando a abertura tão natural da gente que habita uma das cidades mais pobres da Europa. E se Firenze é o meu amor, Napoli é a minha amante. Vê bem a paisagem que esta foto ilustra e tens aí todas as justificações possíveis. 




1- VENEZIA (região: Veneto, norte)

Mas não há duas sem três, então o meu primeiríssimo posto ficou reservado para Veneza, outra espécie de amor que ganhei em Itália. Está aqui no topo por uma simples da razão. Tal como Roma, Veneza é aquela cidade que tu pensas que já viste em todo o lado (nas fotos que o teu amigo partilhou, no cinema, na televisão, etc). É sim, uma cidade extremamente popular e disso não se pode fugir. Então quando lá cheguei já estava à espera de gostar bastante, pelo que já tinha visto e sabido, MAS a verdade é que eu não fazia a mínima ideia do que realmente é aquele lugar. Fui completamente arrasado, completamente surpreendido do início ao fim. A dada altura perdi-me por umas ruas mais estreitas e foi aí que entendi que até ali dá para teres alguns momentos só para ti, longe da multidão dos selfie sticks. Sair de um beco e dar com um posto onde te podes sentar e apreciar uma gondôla que navega pelo canal, onde mais o podia fazer? Sim, isso pesou muito para o grau de paixão que nutri logo por Veneza. Mais? A Piazza di San Marco é provavelmente o local mais épico que se pode visitar neste país. Pode não ser o mais icónico, mas devia-o ser, pois é de uma beleza rara, que não te larga facilmente. Para além disso nesta estadia fiz a viagem de barco às três ilhas de Veneza (Murano, Burano e Torcello) e bem, isso só serviu para me obrigar a colocar esta magnífica cidade no primeiro lugar deste TOP. Poderia escrever tanto sobre os monumentos ou as simples casas com portas para os canais... mas não sairia daqui hoje. Resumidamente: Veneza é uma cidade única, não há igual, nem outra que se aproxime minimamente do seu estilo (e não falo só do facto de ter canais de água). Mas o melhor é ir lá (de mente aberta) e descobrir exactamente porquê.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Life after European Voluntary Service?




It has been 3 months since I finished my Servizio Volontario Europeo (SVE) and came back from Italia

Believe it or not but I've been suffering a lot. Not suffering in the way of crying all the time or not wanting to get out of the bed, but in the way of not being able to reintroduce myself in "my society" again. And if that was always difficult for me (yeah, I'm strange!), imagine NOW... 

Truth is: there's not such thing as life after SVE. There's only this space time continuum where you keep asking yourself what more can you do to fit again in the life you had before departing. But you will never fit again. You will just find (almost) everyone complaining about things that you just don't care about... like how interesting is that sh*tty reality show that you never watched.

You will just fight to ignore people complaining about problems that you can't consider problems anymore. After all, you learned to live so much with so little, that now you can just despise some argurments... even if that gives that image of an arrogant bastard. But again, you shared your daily life with people that had real struggles... so... f*ck this capitalist society!

Don't get me wrong. I've been doing everything to be ocuppied. And since I arrived home, I never stoped doing stuff, with my book, a new job, etc. 

And speaking about jobs. Isn't it ironic that before you were not being paid to work as a volunteer and you were really happy... but now that you have a wage you just don't feel complete...? 

I know why we feel this. When you are volunteering you receive that something that no money can buy.

And of course I'm happy to be home. I'm loving the work with my book.

But inside me there's this emptiness that calls for a random night with a random bottle of lambrusco talking about politics or tv series or transcendental sh*t or videogames or something crazy with one of the amazing volunteers that crossed my path.

Inside me there's this guy that misses Italia so much... without being able to explain how is that possible to the people around him. 

Is this the limbo? When do I get to the next level?

The next level is a rehab center for ex-volunteers, certo?


[ don't take this text too serious please ]

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Mas qual é o problema?




Perante a histeria colectiva de quem ficou pasmado com a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos da América, houve alguém que me disse hoje: "Tem lá calma, que ele não vai rebentar nenhuma bomba nuclear".

Ao que eu respondi, muito admirado, que esse nunca foi um problema que passasse pela minha mente de todas as vezes em que temi que este homem chegasse ao poder.

Mas qual é afinal o problema?

Bem... desconstruindo a questão,  o Trump é aquele teu colega do secundário que, por ter mais posses ou poder ou mais força, se achava superior a toda a turma.

É aquele que não considerava aceitável uma rapariga dar-lhe um não, se a função dela seria só render-se aos seus... encantos, mesmo que isso significasse tocar-lhe e agarrá-la sem o seu consentimento. 

É o mesmo bullie que pontapeava os colegas que não obedeciam às suas estabelecidas normas de orientação sexual ou identidade de género. 

E é aquele que ofendia quem tinha uma cor diferente da sua, que não respeitava as diferentes crenças religiosas de cada um e que maltratava quem não considerava ao nível do seu estatuto social, sendo assim muitas vezes idolatrado e seguido por outros rufias como ele. 

É aquele ser que tu odiavas, com razão, e que quiseste esquecer durante anos, embora tenhas sentido que a sua sombra permanecia sempre em algum dos lugares que frequentavas. E aí está ele, retornado, como uma nova ameaça.

Ora, muito mais do que só política, esta eleição tem um cariz fortemente social (como afinal todas deviam ter). Mas se a chegada de Obama ao poder em 2008 teve um significado histórico e social fortemente positivo, esta tem um carácter de... injustiça. Se considerarmos toda as lutas contra a discriminação racial vividas nos EUA, 2008 foi visto como um ano em que se deu um grande passo em frente, ao ponto em que hoje (quase) todos sentimos que retrocedemos. Este dia 9 de Novembro ficará para a História como um dos mais tristes da humanidade.

Não porque se espera que subitamente comecem a chover bombas nucleares, mas porque hoje os Estados Unidos da América gritaram ao mundo que, sim, é ok seres um racista, homofóbico, sexista e xenófobo porque ainda assim poderás perfeitamente ocupar o cargo de Presidente de uma das maiores nações do mundo. 

Sem qualquer problema. 




terça-feira, 25 de outubro de 2016

[ opinião ] Suburra



"Suburra é um bairro de Roma e o local de um projecto imobiliário ambicioso. Mas com o Estado, o Vaticano e a Máfia envolvidos... as coisas não são o que parecem."


No que diz respeito à sinopse, fico-me por aí, pois acredito que o filme ganha muito quando se sabe menos sobre ele. 

E no que toca à minha opinião sobre esta obra vou ser já directo. Suburra é um dos melhores filmes italianos de sempre e um dos meus favoritos dentro do género criminal, policial... como lhe quiserem chamar.

Esta película de Stefano Sollima apresentou-nos um trabalho de mestre. É ele o produtor da série de televisão Gomorra (que por sua vez é inspirada no filme com o mesmo nome, de 2008), e que se se baseia também nas turbulentas relações de crime que acontecem dentro da Máfia italiana (neste caso, mais a sul, na zona de Nápoles).

Suburra, por sua vez, leva-nos até Roma e explora as estreitas ligações de poder entre a política, o Vaticano e os mafiosos. 

Não é um filme fácil de digerir. É violento, tanto gráfica como psicologicamente, mas é mesmo por isso, por não ter medo de o ser, que atingiu este estado de perfeição.

Junta-se a isso um casting de actores absolutamente brilhante, uma banda-sonora de topo e uma arte de filmar que traz novas perspectivas, novas formas de contar, de envolver o espectador, e temos um filme absolutamente obrigatório.

Sem revelar demais, destaco apenas o seguinte. Nas suas duas horas de duração há várias cenas que brilham, mas há o momento de um assassinato tão magistralmente filmado e editado que se tornou subitamente num dos meus takes favoritos de todos os filmes que já vi. 

Podia ficar horas a escrever elogios, porque de facto para mim tornou-se um produto de culto, um clássico instantâneo do cinema. 

E já o vi há muitos meses, mas só hoje ganhei coragem para lhe escrever uma crítica. Acreditem que andou durante todo este tempo na minha mente.

Penso que é isso que faz uma obra-prima, não te larga, fica a remoer-te o interior, a obrigar-te a reflectir sobre aquilo que viste. 




segunda-feira, 24 de outubro de 2016

[ opinião ] Inferno - o filme



Florença, Itália. Robert Langdon (Tom Hanks) acorda num hospital e não se lembra de absolutamente nada do que lhe aconteceu nas últimas 48 horas, nem mesmo o porquê de ali estar. Subitamente é atacado por uma mulher misteriosa e, com a ajuda de Sienna, a médica presente, escapa do local. Um estranho artefato dá então início a uma busca incessante através do universo de Dante e do seu Inferno, de forma a que possa entender o porquê de ser perseguido.

Para alguém como eu que já leu 4 livros do Dan Brown e viu os dois filmes baseados no Código da Vinci e Anjos e Demónios, há uma fórmula que o famoso autor usa em todas as suas histórias. Em cada livro havia um twist final que desmascarava um personagem aparentemente bom e amigo do protagonista, mas que afinal estava a trabalhar para os maus da fita. Tão simples quanto isso.

Se no Código e Anjos e Demónios nunca desconfiei do personagem em si, neste Inferno tive a certeza absoluta de quem se tratava logo na 1ª cena em que esse personagem aparece (não li o livro). Na tal revelação mais para o fim já não houve surpresa alguma. Então, um dos poucos trunfos do filme foi logo perdido. Mas serve isto apenas para mostrar que a fórmula do autor está gasta, como se reciclada vezes e vezes sem conta, sem graça.

Para além disso, este filme é engraçado, sim, para quem conhece Firenze (Florença) e Veneza ao pormenor, que é o meu caso, mas passados aqueles momentos de "oh, eu estive ali... e ali", a película não tem mais nada para oferecer. A história oscila sempre entre o mau e o medíocre. 

Tecnicamente deixa a desejar, muitas cenas parecem ter sido filmadas à pressa, sem brilho... e as referências históricas debitadas forçadamente não convencem.

Quem também não convence é o vilão principal, que parece ter uma agenda sem grande fundamento. As suas intenções são mal explicadas (ou simplesmente ridículas), aparecem personagens que não têm tempo para desenvolver mais do que meia dúzia de falas em diálogos que apenas tornam tudo mais confuso... ao invés de aumentar o mistério. 

Gostei de Anjos e Demónios. É o meu preferido desta saga. Mas este Inferno é mesmo para evitar.

Firenze merecia ter sido melhor filmada, já que fizeram tanta publicidade ao filme em torno dessa magnífica cidade. Mas não há nada que se destaque, com todas as cenas a parecerem apenas uma estampa daqueles postais para turistas que se encontram em cada via da cidade do Renascimento. Desilusão!